“É preciso derrotar Bolsonaro, o bolsonarismo e este sistema neoliberal”, diz Fernando Carneiro

31/07/2021 09:41

Na fala sobre conjuntura, o vereador (Psol/Belém-PA) afirmou que a luta contra Bolsonaro extrapola a questão política e passa a ser uma defesa pela vida. Para o historiador, neste momento Bolsonaro está enfraquecido e os movimentos sociais estão mais fortes do que há um ano

O Sindicato dos Bancários/ES abriu na noite desta sexta-feira, 30, a Conferência Estadual com duas falas que se complementaram porque ambas apontaram o Governo Bolsonaro como algoz da classe trabalhadora. Historiador e vereador pelo Psol (Belém-PA), Fernando Carneiro falou sobre “A crise ética, política e econômica no governo e o papel dos trabalhadores pelo Fora Bolsonaro e Mourão”; já Rita Serrano, representante dos empregados no Conselho de Administração da Caixa, trouxe para o debate a “Defesa dos Bancos Públicos”.

 

Por que debater a conjuntura? 

Para Carneiro, debater a conjuntura é crucial para se avaliar diversos elementos da realidade. O historiador disse que, muitas vezes, não conseguimos enxergar essa realidade e acabamos sendo surpreendidos. “Precisamos ter humildade para compreender que às vezes não conseguimos ler a realidade. Ele citou como exemplo a eleição de Bolsonaro. Disse que muita gente não acreditou que ele pudesse se eleger. “Mas do que fazer a autocrítica, que também é indispensável, precisamos tirar lições da eleição de Bolsonaro. Não podemos incorrer nesse erro de não conseguir ler a realidade”. 

O vereador do Psol afirmou que o Brasil vive parte de um processo maior, continental ou mesmo mundial. “Esse processo da ultradireita, das reformas neoliberais, da destruição dos serviços públicos, vem ocorrendo há muito tempo. Não pdoemos esquecer o que está acontecendo na Argentina, Chile, Colêmbia, Bolívia e no próprio Estados Unidos com a derrota de Trump. O processo de ataque é continental, mas o processo de resistência também é continental”.  

Em defesa da vida

Na avaliação de Fernando Carneiro, Bolsonaro ultrapassou a fronteira da política. Para ele, que está na trincheira oposta de Bolsonaro está lutando pela defesa da vida. O historiador enfatizou que Bolsonaro não é invencível. “Os movimentos sociais estão mais fortes do que há um ano e Bolsonaro está mais fraco”. Ele afirmou que os quatro últimos atos pelo “Fora Bolsonaro-Mourão”, de maio para cá, abalaram as estruturas do governo. “As pesquisas têm apontado que a popularidade dele está caindo e a rejeição aumentando”. 

Risco de golpe

Para o historiador, o risco de golpe não pode ser descartado. Embora a popularidade de Bolsonaro esteja derretendo, advertiu, a democracia está em risco no Brasil. No entanto ele ponderou  que o fascimos propõe a destruição das instituições, “e as nossas ainda estão funcionando. Por isso o projeto fascista não saiu vitorioso, mas isso não significa que Bolsonaro é menos perigoso. Encurralado, pressionado, ele pode ser até mais perigoso. Não podemos menosprezá-lo”.  O vereador reafirmou que Bolsonaro representa risco à vida, à democracia. “Não poderemos esperar até 2022. O fora Bolsonaro é urgente. Temos que continuar na luta”. 

Frente ampla

Pedagogicamente, o historiador explicou que o fortalecimento de uma frente ampla para derrotar Bolsonaro é urgente e necessária. “Todos são bem-vindos. Não podemos ser sectários nessa questão”. Ele disse, porém, que não se pode confundir a formação de uma frente ampla com o projeto alternativo de luta da classe trabalhadora. Carneiro salientou que a construção de uma frente única e ampla contra Bolsonaro deve ser separada da construção desse projeto alternativo da classe trabalhadora para enfrentar o neoliberalismo. 

Riqueza de 100 milhões de brasileiros nas mãos de seis homens

Ao falar sobre a necessidade de se construir um projeto para a classe trabalhadora que rompa com a lógica neolieral e que seja capaz de estreitar o fosso da desigualdade no Brasil, Fernando Carneiro citou um estudo feito pela ONG britânica Oxfam, em 2017. No estudo, a ONG aponta que os seis homens mais ricos do Brasil (Joseph Safra, Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles, Carlos Alberto Sicupira, Eduardo Saverin e João Roberto Marinho) concentram a mesma riqueza de 100 milhões de brasileiros. 

Ele contou que ao ver esse dado pensou: “Por que 100 milhões deixam que meia-dúzia de homens brancos continuem mandando na economia do país”. Para Carneiro, é preciso despertar a consciência da classe trabalhadora. “Quando percebemos que somos a maioria, não vamos mais deixar que seis homens tomem as decisões”. 

Segundo o vereador, a classe trabalhadora precisa ter consciência. “Uma coisa é a luta contra Bolsonaro, outra é o projeto para a classe trabalhadora. E não conseguiremos isso sem uma classe trabalhadora consciente. Fora Bolsonaro e Mourão. Vamos construir uma alternativa para a classe trabalhadora para derrotar esse modelo neoliberal que está aí”.

Neste sábado, 31, a Conferência Estadual será retomada a partir das 9h00 com as mesas dos bancos públicos e privados. Confira a programação.