Bancários e bancárias do Banco do Brasil se reuniram na noite dessa sexta-feira, 15, em plenária virtual para discutir as ações de enfrentamento ao plano de reestruturação anunciado pela direção do banco na última segunda-feira, 11.
Na abertura da plenária, os diretores do Sindicato dos Bancários/ES fizeram uma síntese dos pontos mais controversos do plano e informaram o resultado da reunião realizada com os representantes do BB nesta semana. Foi informado também sobre a reunião com os caixas realizada na última quarta-feira, 13. Em seguida, a plenária foi aberta para os trabalhadores apresentarem as propostas de ações de resistência que estão sendo planejadas para ser executadas a partir da próxima semana no Espírito Santo.
Encaminhamentos
Ao final da plenária, foram encaminhadas as seguintes propostas:
• engajamento no “Dia Nacional de Luta” programado para próxima quinta-feira, 21 de janeiro. Serão promovidas atos/mobilizações durante a semana;
• nova plenária dia 20, véspera do “Dia Nacional de Luta”, para organizar e alinhar as ações;
• Jurídico – serão tomadas todas as medidas cabíveis do processo de desmonte;
• cartazes/banners para explicar as consequências da reestruturação para população;
• mobilizar a classe política, de maneira geral, e engajá-la na luta contra o desmonte do Banco do Brasil. Além de enviar release/carta com críticas à reestruturação do BB a prefeitos, deputados estaduais/federais e senadores. É missão da militância virtual também mobilizar associação de prefeitos e das câmaras municipais.
• mobilizar os sindicatos rurais (patronal e de trabalhadores) sobre os impactos do “encolhimento” da rede física de agências para as comunidades do campo que são os principais beneficiários das linhas de crédito do banco destinadas à agricultura;
• levantar os impactos do fechamento/mudança de perfil das agências para as comunidades. Abrir diálogo com os representantes da sociedade civil organizada e envolvê-los na luta contra o desmonte do banco;
• envolver bancários de outros bancos e trabalhadores de outras categorias na luta contra o desmonte do BB, que abre caminho para a privatização do banco – processo que afeta outras empresas públicas; e incluir os aposentados e as aposentadas para a mobilização;
• produzir um texto destacando as ações às quais o Governo Bolsonaro tem empreendido para privatizar o BB.
Sem informação
Durante a plenária, os bancários também puderam se atualizar sobre a repercussão do plano e as ações que o Sindicato dos Bancários/ES fez durante esta semana. A diretora do Sindicato Goretti Barone disse que desde o anúncio do plano, o Sindicato vem solicitando ao banco informações oficiais sobre os impactos da reestruturação no Espírito Santo. Segundo a dirigente, a Gepes Sudeste Litoral admitiu que ainda não tinha informações completas sobre as agências e o percentual de bancários que serão afetados pela reestruturação no Estado.
“Circula entre os bancários que 17 agências seriam fechadas ou teriam o perfil alterado no Estado. Mas esses dados não têm a chancela do banco. Por isso o Sindicato foi atrás das informações oficiais sobre o plano, que a Gepes afirma que ainda não as tem. Diante desse desencontro de informações, julgamos mais sensato não divulgar essa ‘lista informal’ de agências que circula pelos grupos de WhatsApp. Como instituição, só podemos nos respaldar em informações oficiais”, esclareceu Goretti.
Para a dirigente, o banco revela a total falta de respeito com seus funcionários ao anunciar um processo de reestruturação dessa magnitude sem informar como essas mudanças os afetarão. “Conversei com os empregados de algumas agências que vão virar loja para entender o processo, mas ninguém sabia explicar como seria essa mudança. Com relação às agências que vão fechar, a mesma coisa. Não há cronograma informando os prazos. Está tudo no ar. O único prazo que está estabelecido é o de adesão ao PAQ, que vai até 22 de janeiro. Isso é de uma perversidade sem precedentes com os trabalhadores”, enfatizou a dirigente.
Classe política
A também diretora do Sindicato Rita Lima opinou sobre a importância de intensificar a mobilização junto à classe politica, sobretudo agora que a reestruturação, conjugada com uma iminente demissão do presidente do BB, André Brandão, entrou na pauta da sucessão da Câmara e do Senado.
Um dos delegados acrescentou que o anúncio de fechamento de unidades do BB país afora repercutiu negativamente entre os deputados do centrão, que têm sofrido pressão direta de suas bases pela manutenção das agências. “É preciso ter cautela na hora de cobrar desses parlamentares. Temos de deixar claro que a nossa preocupação prioritária é com os trabalhadores. Mas é importante destacar também o impacto para os prefeitos dos municípios que terão agências fechadas”, pontuou o delegado.
Isa Musa, presidente da FAABB, informou que além da Federação dos Aposentados e Pensionistas, a ANABB, AAFBB e Contraf elaboraram uma carta solicitando apoio a deputados e senadores para reverter o plano de reestruturação do Banco do Brasil. “Em nível nacional as bases estão recebendo a mesma carta para encaminhar aos deputados e senadores de seus estados”, informou Isa.
O diretor do Sindicato de Brasília Eduardo Araújo se colocou à disposição para ajudar no trabalho de mobilização junto ao Congresso. “O momento é muito grave e estamos prontos para dar a vocês todo apoio de que precisarem em Brasília na articulaçào com os parlamentares”, reforçou Araújo.
Luta e resistência
A maioria dos diretores, delegados e trabalhadores construiu consenso em torno da necessidade de partir para o enfrentamento para impedir o desmonte que abre caminho para a privatização do banco. Nossa discussão central aqui é política. Temos que definir nossas ações de resistência e pôr o nosso exército na rua na semana que vem. Esse é o caminho para enfrentarmos esse momento adverso”, assinalou Dérik.
“Em 2019 fecharam 417 agências, agora são mais 360. Isso não é reestruturação, é desmonte para a privatização. O ministro Paulo Guedes está impondo esse processo de privatização numa velocidade absurda. Ele decidiu partir para cima e está atropelando todo mundo, até mesmo as áreas do banco estão perdidas e não têm informações sobre o plano. É preciso registrar também que a Previ e a Cassi ficam vulneráveis com a reestruturação e isso afeta diretamente os aposentados e as aposentadas”, afirmou uma bancária aposentada.
Goretti reforçou que a solução é sempre coletiva, nunca individual. “Precisamos ter muito clareza sobre isso e conscientizarmos o colega que tende a se isolar para buscar soluções individuais. Estamos todos no mesmo barco. O impacto dessa reestruturação perversa afetará a todos, inclusive os aposentados. Se todos forem juntos, a gente resiste”.
Além dos diretores e diretoras, delegados e delegadas do Sindicato, bancários e bancárias, participaram da plenária aposentados e aposentadas do BB.









