A Pesquisa do Emprego Bancário (PEB) de outubro de 2023 aponta que foram fechadas 5.982 vagas no setor no acumulado de outubro de 2022 a agosto de 2023. Segundo o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), que faz o levantamento mensal do indicador, essa é a 11ª queda consecutiva. Desde o segundo semestre deste ano, porém, houve um pequeno recuo no saldo de emprego na categoria. Em julho, o saldo geral do setor bancário foi de menos 318 e em agosto de menos 46 , o que pode representar certa estabilização ou perspectiva de melhora nos próximos meses. 

De outro lado, os bancos múltiplos com carteira comercial, classificação que inclui a maior parte dos grandes bancos, como Itaú, Santander, Bradesco e Banco do Brasil, fecharam 341 vagas em agosto último. No ano, esse mesmo recorte do setor eliminou 5.516 vagas e nos últimos 12 meses apresentou resultado negativo de 5.754.

Outro estudo do Dieese, que traça o perfil da categoria bancária no intervalo de 10 anos, entre 2012 e 2021, aponta que em 2012 havia 512.835 bancários contra 442.560 bancários em 2021, saldo negativo de 70.275 vagas. À medida que o número de bancários encolhia, outras categorias do ramo financeiro registraram aumento de 60,4% entre 2012 e 2021. Isso representa 215.542 novos vínculos de trabalho. 

Esse processo de queda do emprego da categoria bancária e aumento das vagas na chamada periferia do ramo financeiro é uma tendência que já vem ocorrendo há pelo menos três décadas. Em 2002, a categoria bancária representava 70% do ramo financeiro; em 2012 caiu para 56% e em 2021 para 44%. “Estamos encolhendo, em média, mais um ponto percentual por ano. Se continuarmos nesse ritmo, a tendência é que em 2032 poderemos representar pouco mais de 30% do ramo financeiro”, estima Carlos Pereira de Araújo (Carlão), diretor do Sindibancários/ES e membro do Comando Nacional dos Bancários.   

ES, saldo positivo
Houve mais contratações do que demissões no mês de agosto em 18 das 27 unidades da federação, com cenário mais favorável na Bahia (115 vagas), seguida pelo Rio de Janeiro (66) e por Amazonas (35). O Espírito Santo foi um dos estados que registraram saldo positivo de emprego bancário, com 18 vagas. 

Nove estados, no entanto, registraram saldo negativo. São Paulo (menos 564 vagas), Minas Gerais (- 86) e Paraná (- 11) tiveram os piores resultados. De janeiro a agosto, o número de postos fechados só em São Paulo passou dos 2,9 mil, ou 53,7% do saldo negativo de todo o país.

Idade e sexo
Em agosto, o resultado negativo se deu exclusivamente entre mulheres, com o fechamento de 187 vagas. Entre homens ocorreu a abertura de 141 vagas. A contratação de homens foi 10,7% superior à de mulheres, e os desligamentos, por outro lado, foi 7,6% maior entre elas.

Entre os profissionais com até 29 anos, registrou-se ampliação de 1.030 vagas, enquanto para as faixas etárias superiores, a movimentação foi inversa, com fechamento de 1.076 postos. A maior proporção de contratados foi entre homens de até 29 anos (29,5%), seguido de mulheres dessa mesma faixa (26,6%). As demissões foram mais acentuadas para mulheres acima de 30 anos (35,1%), seguida por homens acima de 30 anos (35,1%).

Remuneração
O salário mensal médio do bancário admitido em agosto foi de R$ 5.249, 72,78% daquele que foi desligado, que era de R$ 7.212.

Mobilização e luta
Carlão afirma que o acumulado de 11 meses consecutivos de queda no saldo do emprego bancário preocupa porque confirma uma tendência que vem sendo registrada há décadas. “É muito clara a estratégia dos bancos. Para continuar aumentando suas margens de lucros, que não têm limites, os bancos entenderam que precisam explorar ainda mais o trabalhador. O bancário que se mantém no emprego está submetido à ditadura das metas, cada dia mais abusivas e intangíveis. Não por coincidência, há um adoecimento em massa da categoria, sobretudo com o aumento das doenças mentais”, sublinha o dirigente. 

Enquanto a categoria bancária vai desidratando, continua Carlão, é notório o crescimento na base da pirâmide do setor financeiro. Excluída a categoria bancária, em agosto houve a abertura de 2.255 postos no setor. Nos últimos 12 meses, foram criadas 15,8 mil vagas, média de 1,3 mil por mês. As atividades que mais contrataram foram plano de saúde (869), crédito cooperativo (821) e administração de cartões de crédito (159).

“Não podemos comemorar os saldos positivos de empregos na periferia do setor. Os trabalhadores que estão sendo contratados têm direitos e garantias mínimos, não contam como uma estrutura sindical para representá-los e boa parte não está amparada por acordos e convenções coletivas de trabalho. Não bastasse, esses trabalhadores têm remuneração inferior e carga horária mais ampliada em relação aos bancários”, assinala Carlão. Ele acrescenta que em nome de novos recordes de lucro os bancos estão reduzindo o emprego do trabalhador bancário, que conquistou direitos ao longo de décadas de luta. Ao mesmo tempo estão construindo um enorme precariado nas franjas do setor financeiro. “O único meio de conter esse cruel processo de reestruturação é mobilizando os trabalhadores bancários e não-bancários para se unirem nesta luta contra a ganância do capital. Essa luta é de todos nós que entendemos que bancários e não-bancários merecem ter condições dignas de trabalho”, finaliza Carlão.