Se o consultor e ex-ombudsman do Itaú Deives Rezende fosse da Comissão de Ética da Caixa, o presidente Pedro Guimarães estaria no olho da rua. Motivo: o constrangimento que impôs aos empregados e às empregadas no evento “Dia Nação Caixa”, no último dia 14, em Atibaia, 70 km de São Paulo. Sobre a conduta do presidente da Caixa, Rezende afirmou: “Se fosse eu no núcleo [Comissão] de ética, ele já estaria fora”.
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Para o ex-ombudsman, ao impor as flexões de braço aos empregados, Guimarães feriu o código de ética e de conduta da Caixa. “As pessoas provavelmente não tiveram coragem de largar seus bonés e ir embora diante daquela cena de assédio moral, que se caracteriza por tudo que aconteceu, exposição, constrangimento, pela humilhação e pela repetição”, disse Rezende em entrevista à coluna do jornalista Guilherme Amado, do site Metrópoles.
A diretora do Sindicato Bancários/ES e integrante da Comissão Executiva dos Empregados (CEE-Caixa) Lizandre Borges afirma que a análise do consultor sobre a conduta de Guimarães provavelmente seria compartilhada por outros profissionais que se orientam pelo senso de ética. “Foi um episódio de assédio moral caracterizado. Não há nem o que ponderar. Como disse Deives Rezende, Pedro Guimarães quebrou o código de conduta de uma das principais instituições brasileiras. A gravidade do episódio aumenta devido ao fato de ter ocorrido no maior banco público da América Latina. Uma empresa que deveria dar o exemplo. Pedro Guimarães manchou a imagem da Caixa”, sublinha.
Código de Ética
O Código de Ética da Caixa, destaca Lizandre, não deixa dúvidas sobre a conduta errática de Guimarães. “Preservamos a dignidade de dirigentes, empregados e parceiros, em qualquer circunstância, com a determinação de eliminar qualquer situação de provocação e constrangimento no ambiente de trabalho”, diz um dos parágrafos do Código no item intitulado “respeito”.
A Comissão de Ética da Caixa, critica a dirigente, já deveria ter se manifestado sobre a conduta de Guimarães. “Se a Comissão agisse com a celeridade e o rigor que o fato exige, Pedro Guimarães teria sido imediatamente afastado até que as apurações fossem concluídas. E, em seguida – comprovado o flagrante de assédio moral -, que é ululante, exonerado. Mas até o momento ainda não há nenhuma manifestação da Comissão de Ética sobre o episódio”, lamenta Lizandre.
Guimarães reproduz Bolsonaro
Ela acrescenta que o desrespeito às empresas públicas e aos servidores, marca do governo Bolsonaro, está sendo reproduzida na gestão de Pedro Guimarães à frente da Caixa. “Fica patente que Guimarães introjeta o modus operandi tóxico que parte do Palácio do Planalto. Reparem que até a escolha das flexões para constranger os empregados, foi inspirada em ‘castigos’ militares”. Lizandre diz que a prática é recorrente entre os oficiais para humilhar os subalternos. “Parece que Guimarães quer transformar a Caixa em um quartel e os empregados em soldados. Ele rasga o código de conduta e de ética do banco para reproduzir o que há de pior na disciplina militar: a humilhação hierarquizada”, aponta.

