Em recente reunião, o Conselho de Administração da Caixa decidiu extinguir a VIPES (Vice-Presidência de Pessoas). Para o lugar da VIPES foi anunciada a VIEPE (Vice-Presidência de Estratégia e Pessoas). Confrontando as siglas, a primeira impressão que se tem é que o detalhe foi a exclusão de um “S” e a adição de um “E”, que representa a palavra “estratégia”. Mas as mudanças impostas pela direção da Caixa vão muita além de um aparente ajuste de nomenclatura.

A diretora do Sindicato dos Bancários/ES e membro da CEE-Caixa, Lizandre Borges, afirma que o fim da VIPES representa um grande retrocesso para os empregados da Caixa. A dirigente diz à nova área, VIEPE, se juntam as diretorias de governança e estratégia – DEGOE; de Marketing e Relacionamento Institucional – DEREL, e a Ouvidoria, que passa a ser vinculada à DEGOE – setores que até então estavam diretamente vinculados à Presidência.

Para a dirigente, essa restruturação da VIPES é mais uma ação do presidente Pedro Guimarães no sentido de desmontar a Caixa. “É com esse propósito que ele assumiu a direção da empresa. Aliás, Guimarães foi escolhido a dedo por pelo ministro Paulo Guedes justamente por ser um especialista em privatização de bancos”.

Lizandre lembra que Guimarães participou diretamente das privatizações do Banespa, Banerj e Banestado. “Com as privatizações de três bancos públicos no currículo, ele quer mostrar que pode cumprir o desafio de privatizar o maior banco 100% público da América Latina”.

A dirigente acrescenta que a decisão de acabar com a VIPES confirma o desleixo que Guimarães tem com as pessoas. “Sua gestão desumaniza as relações dos empregados com o banco. Ele só está mesmo preocupado com números”, critica.

Mudança de perfil

A integrante da CEE-Caixa destaca que a VIPES recriada como VIEPES passará a ter um perfil difuso, sem foco na relação com o pessoal. A dirigente diz que questões que envolvem pautas negociais com os sindicatos, Saúde Caixa, carreira, capacitação e administração de conflitos perdem seu foro exclusivo. “Todas essas questões passam a gravitar numa seara difusa. Perdemos um importante canal de interlocução que já estava consolidado havia anos”, sublinha Lizandre.

De acordo com a conselheira Rita Serrano, eleita pelos empregados, que votou contra a extinção da VIPES, na proposta, a Ouvidoria passa a ser vinculada a uma vice-presidência, quando boas práticas de mercado sugerem (como estabelecido no Manual de Boas Práticas de Ouvidorias Brasil, desenvolvido em parceria pela Associação Brasileira das Relações Empresa Cliente – ABRAREC e a Associação Brasileira de Ouvidores/Ombudsman – ABO) que “o ouvidor deve ser vinculado e subordinado diretamente ao dirigente máximo da organização e deste deverá receber o suporte necessário para o exercício de suas funções, de forma que possa agir com autonomia, imparcialidade e legitimidade junto aos demais dirigentes da organização”. Da mesma forma, acrescenta Serrano, o estatuto padrão da SEST sugere que a Ouvidoria fique diretamente ligada ao Conselho de Administração.

“A IPO da Caixa Seguridade; os ataques a direitos trabalhistas previstos no ACT, como a apropriação ilegal de 1% da nossa PLR; a extinção de uma área estratégica para os empregados, como a VIPES, são peças desse quebra-cabeça que vão se encaixando e dando forma ao processo de desmonte da Caixa, operacionalizado por Pedro Guimarães sob a batuta de Bolsonaro e Paulo Guedes”, protesta Lizandre.