
Desrespeito. Essa é a palavra que sintetiza a postura da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) nas negociações nacionais. Na tarde desta terça-feira, 13, em nova rodada com o Comando Nacional dos Bancários, os representantes da Fenaban não apresentaram nova proposta às reivindicações da categoria e insistiram no modelo de reajuste abaixo da inflação mais abono. Sem avanços, os bancários mantêm a greve por tempo indeterminado e convocam a categoria para intensificar paralisação.
Uma nova rodada de negociação foi marcada para a próxima quinta-feira, às 16h. em São Paulo. A expectativa, segundo o diretor do sindibancários/ES Idelmar Casagrande, é que a entidade patronal se disponha a dialogar de forma franca com os trabalhadores, apresentando uma proposta real aos bancários e bancárias.
“É inaceitável que a Fenaban convoque reunião sem sinalizar nenhuma nova proposta para a categoria. Deixa claro que os bancos não querem negociar e estão tratando seus empregados com desdém. Reafirmamos que não aceitaremos abono, queremos reajuste real e soluções para os problemas de saúde e condições de trabalho da categoria, que hoje é uma das que mais adoecem física e psicologicamente em função do estresse e da cobrança de metas”, salientou Casagrande, que também representa os capixabas e a Intersindical no Comando Nacional.
A última proposta dos bancos foi de reajuste de 7% no salário, na PLR e nos auxílios refeição, alimentação, creche, e abono de R$ 3,3 mil. O reajuste indicado continua não cobrindo a inflação do período, calculada em 9,62% em agosto (INPC), e representaria perda de 2,39% para cada bancário e bancária. A proposta foi rejeitada pelo Comando ainda na mesa de negociação, no último dia 9. Antes, os bancos haviam proposto reajuste de 6,5% para salários e benefícios, e abono de R$ 3 mil.
Idelmar destaca que não há motivo para a negativa dos banqueiros. “A crise que atinge o trabalhador brasileiro não afeta os bancos, que continuam lucrando com a exploração do trabalho bancário e dos clientes. No primeiro semestre de 2016, foram R$ 29,7 bilhões de lucro. Enquanto isso, de janeiro a julho houve corte de 7.897 postos de trabalho”, salienta Idelmar.
O corte de emprego no sistema financeiro tem intensificado a sobrecarga nas agências. Com a imposição de metas e o assédio moral, o ambiente nos bancos é adoecedor para bancários e bancárias. De acordo com a última estatística divulgada pelo INSS, entre janeiro e março do ano passado, 4.423 bancários foram afastados do trabalho, sendo 25,3% por lesões por esforços repetitivos e distúrbios osteomusculares e 26,1% por doenças como depressão, estresse e síndrome do pânico, revelando que as doenças do sistema nervoso já ultrapassaram os casos de LER/Dort.
Greve seque forte no Brasil e no Espírito Santo
A greve da categoria continua crescendo. Na última segunda-feira (12), sétimo dia da paralisação, 11.531 agências e 48 centros administrativos ficaram paralisados. O número representa 48,97% de todas as agências do Brasil. A mobilização cresceu 15%, na comparação com a sexta-feira (9). No Espírito Santo, já somam 333 agências fechadas nesta terça-feira – 185 da Grande Vitória e 148 do interior. São 78 agências a mais se comparado ao primeiro dia de greve no Estado.









