Após mais uma rodada frustrada de negociações com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), o  Comando Nacional dos Bancários sinalizou que a categoria está cada dia mais próxima de uma greve. O impasse na mesa de negociações, que se alonga por mais de dois meses, se acirrou ainda mais nesta segunda-feira, 29. Os bancos se mantiveram intransigentes e se recusaram a melhorar a proposta apresentada na última sexta-feira, 26, recusada em assembleias da categoria bancária. Ainda na noite deste desta segunda, representantes da Fenaban e do Comando retomam as negociações (acompanhe as atualizações sobre as negociações aqui).

De acordo com a proposta recusada, os bancos mantêm para reajuste dos salários índice de 75,8% da inflação (INPC), o que corresponde a 6,73% da inflação (considerando a projeção em 8,88% na data-base da categoria) e representa uma perda salarial de 2% para os bancários. A proposta para a PLR e para os vales refeição e alimentação também se manteve em 100% da inflação do período (8,88%).

O diretor do Sindicato dos Bancários/ES e integrante do Comando Nacional, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), afirma que os bancos, rodada a rodada, vêm empurrando a categoria para a greve. O dirigente diz que não dá para aceitar uma proposta rebaixada num momento em que os bancos batem novos recordes de lucro a cada trimestre. “Esses resultados extraordinários se acumulam à custa de metas abusivas e desumanas, que têm sido a principal causa do adoecimento da categoria”, critica.

“Não bastasse essa proposta estar muito aquém das nossas reivindicações, que preveem reposição integral da inflação mais 5% de ganho real, além de aumento da PLR e dos vales refeição e alimentação, os bancos anunciaram uma proposta ainda mais rebaixada para 2023, que chega a inaceitáveis 65% do INPC para reajuste salarial e da PLR. Negociar nesses termos é inviável. As propostas chegam a ser desrespeitosas com a categoria”, protesta Carlão.

O dirigente reforça que o momento é decisivo e a mobilização da categoria é fundamental para virar esse jogo. “Vamos precisar de todos e todas nesta reta final. Fizemos uma assembleia na última sexta, 26, e deixamos o caminho aberto para as decisões que iremos tomar coletivamente nos próximos dias. Vamos seguir buscando um acordo, mas não podemos descartar a possibilidade de greve. Insisto, não podemos aceitar uma proposta rebaixada que representa mais perdas para a categoria”.

Carlão pede aos bancários e bancárias que fiquem alertas no site e nas redes sociais do Sindicato nos  próximos dias. “Se o impasse persistir, é importante que todos e todas estejam atentos caso sejam convocados para uma assembleia urgente que deliberará sobre uma eventual greve”, assinala.