Bancários e bancárias rejeitaram a proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) nesta sexta-feira, 26, no âmbito das negociações da Campanha Nacional 2022. Ao todo, foram 468 votos contrários à proposta, 6 favoráveis e nenhuma abstenção. A votação aconteceu de forma remota e foi precedida de debate em assembleia virtual com a participação de mais de 230 pessoas de todo o Espírito Santo. Os trabalhadores ainda aprovaram estado de assembleia permanente e podem ser convocados a qualquer momento para novas deliberações.
O resultado da assembleia demonstrou a insatisfação da categoria em relação à proposta rebaixada da Fenaban para as cláusulas econômicas e à ausência de uma proposta global que atenda a pauta de saúde e condições de trabalho dos bancários. Enquanto a categoria reivindica índice de reajuste composto pela inflação mais 5%, os banqueiros ofereceram 6,75%, percentual que cobre apenas 75,8% da inflação do período e acarretaria perda real de 2% nos salários da categoria.
Para o auxílio-alimentação e auxílio-refeição, os bancos querem aplicar o índice do INPC, projetado em 8,88%, que por sua vez está bem abaixo da inflação dos alimentos, calculada em 15,37%. Para a PLR, a proposta de reajuste também se baseia no INPC, o que significa que nos três maiores bancos privados do país (Bradesco, Itaú e Santander) o percentual de distribuição na regra básica cai de 4,97% do lucro distribuído em 2021 para 4,85%. Na parcela adicional a redução seria de 1,69% para 1,67%.
“A lógica dos bancos é nos impor um arrocho, com acordo rebaixado em todas as cláusulas econômicas. O setor financeiro é o que mais lucra no país e eles alegam dificuldade para garantir até mesmo a inflação. Chega a ser cínico. A resposta do Comando está sendo firme, mas precisamos fortalecer a mobilização para pressionar as negociações, sobretudo com a aproximação da nossa data-base, em 1º de setembro. Avançar no combate às metas abusivas é essencial, pois essa é a centralidade do adoecimento da categoria atualmente. Se for preciso, vamos endurecer com o movimento de greve. Não aceitaremos um acordo rebaixado”, disse o diretor do Sindicato Carlos Pereira de Araújo (Carlão), que integra o Comando Nacional e acompanha as negociações com a Fenaban.
Durante a assembleia o Sindicato apresentou as sínteses das negociações específicas com Banestes, Bandes, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNB, que acontecem paralelamente à mesa única da Fenaban. Ainda não há proposta definitiva dos bancos públicos e as negociações serão retomadas na próxima semana, assim como as tratativas com a Fenaban.
“Estamos em alerta. Nosso chamado é para que bancários e bancárias estejam preparados para a greve, que conversem nos seus locais de trabalho, mobilizem os colegas e acompanhem as plenárias e negociações. O recado dos bancos está dado, querem nos impor perda salarial. É o momento de levar a sério o lema da nossa campanha. Bora virar esse jogo? É o convite que fazemos à categoria. É possível, mas precisamos da unidade e participação de todos”, convoca a coordenadora geral do Sindicato, Rita Lima.
Proposta atualizada da Fenaban:
Reajuste salarial: índice de reajuste de 6,75% para o salário e demais cláusulas econômicas, o que correspondente a 75,8% da inflação acumulada entre 1º de setembro de 2021 e 31 de agosto de 2022, conforme projeções.
Auxílio-alimentação e auxílio-refeição: correção pelo índice do INPC, estimado em 8,88%. Foi rejeitado em mesa pelo Comando, que cobrou reajuste mínimo de 15,37% referente à projeção da inflação dos alimentos para o período.
PLR: correção da PLR pelo INPC, estimado em 8,88%. Isso significa que nos três maiores bancos privados do país (Bradesco, Itaú e Santander) o percentual de distribuição na regra básica cai de 4,97% do lucro distribuído em 2021 para 4,85%. Na parcela adicional a redução seria de 1,69% para 1,67%. A proposta avançou em relação à negociação da última quarta-feira, quando os banqueiros propuseram 6,22%, inicialmente, chegando a 6,73%. Os bancos também recuaram sobre compensar valores pagos pelos programas próprios na parcela adicional da PLR.






