Fenaban se nega a testar bancários para covid-19

13/05/2020 17:13

Como contraproposta, os banqueiros vão oferecer aos empregados dos cinco maiores bancos do país o serviço de telemedicina, um tipo de atendimento médico mediado por tecnologias da informação através do qual eles podem ou não ser orientados a fazer o teste

Em reunião de negociação com o Comando Nacional dos Bancários, realizada nesta terça-feira, 12, por videoconferência, a Federação Nacional dos Bancos negou o pedido para que os bancos disponibilizem testes de covid-19 a todos os bancários que permaneçam trabalhando nas agências. 

Como contraproposta, os banqueiros se comprometeram apenas a oferecer aos empregados dos cinco maiores bancos do país (Banco do Brasil, Caixa, Itaú, Bradesco e Santander) o serviço de telemedicina, um tipo de atendimento médico mediado por tecnologias da informação, através do qual eles podem ou não ser orientados a fazer o teste. A decisão depende de avaliação clínica e análise dos sintomas. As consultas neste sistema também poderão ser realizadas pelos dependentes dos bancários.

Para o diretor do Sindibancários/ES Carlos Pereira de Araújo (Carlão), que integra o Comando Nacional, a contraproposta da Fenaban frustra a categoria, que segue exposta a risco ao atuar na linha de frente dos serviços que funcionam durante a pandemia.

“Entendemos que a testagem dos bancários é essencial para garantir a segurança dos empregados. As agências são ambientes fechados e com grande circulação de pessoas, por isso oferecem maior risco de contágio”, explica.

A testagem geral, segundo Carlão, também contribuiria para identificar possíveis contaminados assintomáticos, que podem ser vetor de contaminação para colegas de trabalho e clientes, além do núcleo familiar do empregado, contribuindo para que a pandemia se espalhe.   

Apesar da negativa, o diretor destaca que o movimento bancário continuará pressionando para assegurar a segurança dos bancários, e que os cuidados devem ser redobrados com o aumento de casos e óbitos associados ao coronavírus. “Num momento de curva ascendente de contaminação, precisamos ser rigorosos com os procedimentos de prevenção, como uso de máscaras, higienização das mãos e do ambiente, e os bancários devem continuar denunciando ao Sindicato situações de risco, já que os bancos muitas vezes negligenciam esses cuidados”, conclui.   

Transparência

O Comando Nacional também questionou a postura dos bancos com relação à sanitização das agências. Entre os pontos criticados está a mudança feita por alguns bancos nos procedimentos recomendados e a realização da sanitização sem comunicar o motivo aos empregados.

Em resposta, a Fenaban informou que alguns bancos passaram a utilizar os mesmos procedimentos de sanitização de hospitais e outros serviços que precisam manter o funcionamento simultaneamente aos procedimentos para a desinfecção do ambiente, o que permite a reabertura da agência mais rapidamente. Disse também que alguns gestores estão realizando os procedimentos de sanitização como medida preventiva.

Os representantes do Comando cobraram que o banco aplique o protocolo previsto, que inclui o encaminhamento dos empregados para teste e a realização dos afastamentos necessários, que devem ser realizados mesmo em caso de dúvida sobre o contágio. Salientaram ainda que os casos de sanitização preventiva devem ser informados, para que o procedimento não gere apreensão entre os trabalhadores. 

A Fenaban acatou o encaminhamento e vai transmitir aos bancos a necessidade de melhorar a comunicação e a transparência.

Santander

O Comando Nacional também questionou a mudança de protocolo de isolamento e afastamento de funcionários de locais de trabalho onde foram constatados casos confirmados e suspeitos de covid-19 sem comunicar ao movimento sindical, principalmente no banco Santander. Alguns gestores não estão afastando os funcionários das agências onde houve casos confirmados, nem garantindo o isolamento preventivo em situações suspeitas.

O Comando Nacional externou preocupação com a segurança da categoria e dos clientes, que pode estar comprometida caso os protocolos de sanitização não sejam cumpridos adequadamente.

A Fenaban alegou que cada banco adota procedimentos distintos, sempre de acordo com as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde, mas disse que levará a questão para os bancos para ser analisada. O assunto voltará a ser tratado na próxima reunião.

Com informações da Contraf