“Nossos passos vêm de longe. Vamos juntos reconstruir o Brasil que queremos!”. Foi com esse tema que celebra a cultura afro-brasileira e ao mesmo tempo dialoga com a história de luta da categoria, que bancários e bancárias do Espírito Santo comemoraram neste sábado, 27, sua tradicional festa anual. Na abertura, uma pincelada na história de luta dos trabalhadores. Destaque para a greve de 1951, a mais longa da categoria, que paralisou as atividades por 69 dias. Se a ideia era resgatar um pouco das raízes afro-brasileiras, a voz de Elaine Vieira, com Samba de Preta, deu o recado logo na abertura da festa, que trouxe na sequência a banda de congo Beatos de São Benedito, que une elementos de origem negra, indígena e cristã.
Rita Lima exalta importância do DNA africano na formação da cultura brasileiraA coordenadora-geral do Sindicato dos Bancários/ES, Rita Lima, lembrou que o Dia dos Bancários e das Bancárias, “além de ser um dia de festa, é resultado da nossa história de luta. O tema da festa tem tudo a ver com a celebração da nossa cultura ancestral. Nossos passos vêm de longe, de muito longe. O Brasil é resultado de uma complexa mistura de povos, mas principalmente traz no seu DNA toda a contribuição cultural dos povos ancestrais, do povo africano, que foram aqui escravizados”.
A dirigente acrescentou que o momento político sinaliza para uma expectativa de mudança, de esperança, com a perspectiva de melhorias para a classe trabalhadora, de garantia das conquistas que estão sob ameaça. “Essa categoria é parte dessa cultura de luta. Vamos mais uma vez dar demonstração nas ruas, nos nossos postos de trabalho, nas urnas, que nós somos de luta”. Rita ainda teceu críticas ao racismo estrutural presente no sistema financeiro. “O sistema financeiro não é somente racista, mas misógino também. Eles assediam nossas mulheres, como fez o ex-presidente da Caixa Pedro Guimarães”. Rita ainda fechou com um sonoro “Fora Bolsonaro!”, que foi ecoado pelos presentes.

Fabrício fechou a sua fala puxando um “Fora Bolsonaro”
O diretor do Sindicato Fabrício Coelho também exaltou a cultura de luta do povo negro. “Precisamos entender a nossa história, estudar nosso passado para não naturalizarmos o presente e para que possamos construir o nosso futuro de maneira consciente”. Fabrício afirmou ainda que históricas conquistas acumuladas pela categoria são resultado de muita luta. “Os sindicatos são a mais forte organização de luta da classe trabalhadora, mas não fazemos essa luta sem cada um de vocês”.
Ele acrescentou em seguida: “Não estamos aqui só para lutar com o patrão na mesa de negociações, como estamos fazendo agora. Estamos na luta para construirmos uma sociedade mais justa e igualitária”, pontuou o dirigente, que também encerrou com um “Fora Bolsonaro”, mais uma vez reverberado pela maioria dos bancários.
Curtindo a festa sem deixar de lado a luta

Deosinedes: greve para virar a mesa de negociações
Para a bancária aposentada da Caixa Deosinedes Mognato, as negociações dos últimos anos com os bancos estão tão duras quanto no governo FHC. “Nos governos do PT havia mais respeito à categoria nas mesas de negociações. Nos últimos anos, a situação piorou bastante”. Sobre o andamento das negociações com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) este ano, ela disse que é inadmissível que os bancos façam uma proposta rebaixada à categoria, justamente num período em que eles estão batendo todos os recordes de lucros. Deosinedes apontou que o caminho para virar essa mesa de negociação a favor da categoria é a união e a luta. “Não podemos descartar a possibilidade de greve”, reforçou.

“Precisamos conquistar ganhos reais nessas negociações salariais”, diz Áureo
O recurso da greve como cartada decisiva para virar o jogo com a Fenaban também é defendido pelo bancário Áureo da Gama de Souza. “Tenho 30 anos de Bradesco. Essas negociações me parecem as mais emperradas dos últimos anos”. Áureo, que trabalha em Cariacica, avalia que a categoria precisa se engajar mais nessa reta final das negociações para pressionar os bancos. “Precisamos conquistar ganhos reais nessas negociações salariais, pois temos acumulado perdas nos últimos anos”. O funcionário do Bradesco também se disse indignado com a intransigência dos bancos nas mesas de negociações num momento em que os bancos atravessam um ciclo de lucros recordes. “É injustificável. Eles acumulam esses lucros à custa de cobrança de metas, mas não há contrapartida ao trabalhador”, criticou.

Eliel, de João Neiva para a festa: “Não perco uma”
Assíduo frequentador das festas dos bancários e das bancárias, Eliel dos Anjos dos Santos deixou João Neiva para comemorar com os colegas em Vitória. Ele disse que estava com saudades das festas presenciais, que foram interrompidas em 2020 e 2021 em função da pandemia. Há 13 anos funcionário do Banco do Brasil, na condição de diretor de base, Eliel conta que está acompanhando de perto as negociações específicas do BB e a nacional, mas nem todos têm demonstrado o mesmo interesse. “É preciso ficar atento às negociações para nos engajarmos na luta. Antes o próprio BB tinha um site com informações das negociações, as propostas que o banco estava fazendo e tudo mais. Hoje não existe mais esse site institucional. Parece que eles querem deixar o funcionário desinformado. Recomendo sempre que busquem informações no site e nas redes do Sindicato”. Eliel também concordou que a greve deva começar a ser vista como um instrumento de luto legítimo para reverter o andamento das negociações com os bancos.
O Banestes é Nosso

O banestiano Adelson: união vai manter o banco público e estadual
Antes do cantor Amaro Lima subir ao palco com o Bloco Manimal, e a a bateria da tradicional escola de samba Unidos da Piedade encerrar a Festa dos Bancários e das Bancárias de 2022, o diretor do Sindicato e coordenador do Comitê em Defesa do Banestes Público e Estadual, Jonas Freire, falou sobre a ameaça de privatização do banco e de suas subsidiárias. O dirigente destacou a vocação social do banco, que garante a presença do Banestes nos 78 municípios capixabas. Reforçou também que é graças a esse compromisso social que o banco repassou aos cofres do Estado, só no governo Casagrande, mais de 400 milhões para serem investidos em programas sociais. “Caso o banco ou seus principais ativos sejam vendidos nessa privatização disfarçada, esses dividendos irão para o bolso dos novos acionistas. Não podemos permitir que o governo Casagrande retire esse patrimônio dos capixabas. O banco é do Estado, não de governos”, salientou.
O banestiano Adelson José Barbosa concordou com a fala de Jonas. “Estou no banco há 36 anos. A longo dessas mais de três décadas, já passamos por diversas ameaças de privatização do banco. Ficamos decepcionados com esse movimento de Casagrande de ameaçar o Banestes. Mas acredito muito na força do banestiano e no apoio da população capixaba para, mais uma vez, vencermos essas luta em defesa do Banestes público e estadual.

Jonas reforçou a importância do Banestes para os capixabas
Jonas aproveitou para convidar os banestianos e as banestianas, e os bancários em geral, para o seminário do próximo dia 17 de setembro com o tema “A importância dos bancos públicos estaduais e a resistência à privatização”.
A Festa dos Bancários e das Bancárias foi encerrada, como não podia ser diferente, ao som do samba da Unidos da Piedade, fazendo jus ao tema da festa de celebração da cultura afro-brasileira.
Confira as fotos da festa
(Fotos: Sérgio Cardoso/Sindibancários/ES)






