Funcionários do BC fazem greve de 24h por melhores condições de trabalho

11/01/2024 20:32

Iniciada nesta quinta-feira (11), as principais reivindicações dos funcionários do Banco Central são as melhorias na carreira, retribuição por produtividade e exigência de nível superior para o cargo de técnico

Os servidores do Banco Central (BC) deflagraram uma greve de 24 horas nesta quinta-feira (11). Segundo o Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal), mais de 70% dos funcionários devem aderir à paralisação. Os trabalhadores reivindicam, entre outros pontos, melhorias na carreira, reajuste nas tabelas remuneratórias, retribuição por produtividade, exigência de nível superior para o cargo de técnico e mudança no cargo de analista para auditor.

“A decisão de realizar a greve decorre da insatisfação dos servidores em relação ao tratamento dispensado às suas demandas, em meio a concessões assimétricas oferecidas a outras categorias típicas de Estado. Ressalta-se a preocupação com a falta de diálogo e o alegado açodamento autoritário do presidente do BC [Roberto Campos Neto] na abordagem de questões relevantes, como a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Independência do Banco Central”, diz nota do sindicato.

A próxima etapa da paralisação será a entrega dos cargos comissionados de chefia, caso as negociações com o governo não avancem. A entrega efetiva dos cargos está prevista para a primeira quinzena de fevereiro. O Sinal também declarou que há preocupação com a falta de diálogo e com o “alegado açodamento autoritário do presidente do BC”, Roberto Campos Neto. 

Para Carlos Pereira de Araújo (Carlão), dirigente do Sindicato dos Bancários/ES e integrante do Comando Nacional dos Bancários, o instrumento de greve é legítimo. A partir das informações que temos acompanhado pela imprensa, os servidores do BC, diante da dificuldade de negociação, anunciaram primeiro uma operação padrão ainda em julho do ano passado e comunicaram o início do estado de greve pouco antes do Natal, ou seja, o movimento sindical vai esgotando as estratégias para forçar a negociação antes de decretar a greve. Como as negociações não avançaram, restou aos trabalhadores a paralisação”, diz Carlão. 

O dirigente afirma que o movimento sindical, independentemente da categoria, deve apoiar o expediente da greve. “A categoria bancária, por exemplo, que é uma das mais combativas do país, fez sua última grande greve nacional em 2016. Foram 31 dias de paralisação”, recorda Carlão, que acrescenta. “A classe trabalhadora brasileira precisa voltar a ver a greve como um instrumento legítimo e efetivo de luta. Afinal, o direito à greve está previsto na Constituição de 1988”, assinala. 

Em seu art. 9º, a Constituição Federal consagra o direito de greve como direito humano e fundamental, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender.