
Sindipúblicos organiza ato com servidores em frente ao Incaper (Fotos: Sindipúblicos)
Uma Assembleia Geral Unificada nesta sexta-feira (10) marcou o quarto dia da greve dos servidores públicos do Espírito Santo. Os trabalhadores fizeram um balanço positivo da paralisação que afeta 3.800 servidores de 14 secretarias e autarquias. Na avaliação da presidenta do Sindipúblicos, Renata Setúbal, a greve já começou forte e vem ganhando adesões dia após dia. Ela lamenta o fato de o governo do Estado se manter em silêncio. “Enquanto o governo não apresentar proposta concreta, a greve será mantida”, garante.
Os servidores reivindicam a reposição de perdas salariais históricas. A proposta apresentada pelo Sindipúblicos, após estudo técnico das carreiras da base ativa, defende uma recuperação média de 30% das perdas salariais que ultrapassam 50% a partir da reestruturação das carreiras. Segundo Renata, essa reposição teria um impacto mínimo sobre a folha de pagamento do Estado, estimado em 1%. A dirigente destacou porém que a reposição teria um enorme impacto nas vidas dos mais de 3.800 servidores.
Sindibancários manifesta apoio à greve
O coordenador-geral do Sindicato dos Bancários, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), manifestou apoio aos servidores públicos e ao Sindipúblicos, que organiza a categoria. “Nós apoiamos a luta dos servidores. Essa é uma luta justa é necessária. A valorização do servidor público é fundamental para se garantir um serviço de qualidade aos capixabas. É inaceitável a omissão do governo. É fundamental que o governo abra diálogo e atenda as reivindicações dos servidores”, ressalta Carlão.
Renata relata que na segunda-feira, véspera do início da greve, os dirigentes chegaram a se reunir com o vice-governador, Ricardo Ferraço (MDB), mas que não houve avanço nas negociações. A dirigente afirma que o Sindipúblicos vem dialogando com o governo desde abril, mas que as negociações efetivamente não avançam. “Queremos respostas às nossas reivindicações”. Ela acrescenta que a proposta de reestruturação das carreiras da ativa, elaborada pelo Sindipúblicos, está há meses aguardando uma posição do governo.
Dinheiro no caixa
O Sindipúblicos sustenta que há viabilidade financeira no caixa do governo para atender às reivindicações dos servidores. Com arrecadação superior a R$ 14 bilhões em 2025 e previsão de ultrapassar os R$ 29 bilhões até o fim do ano, o Espírito Santo apresenta um cenário de estabilidade fiscal. O Fundo Soberano, aponta o Sindipúblicos, que soma R$ 2 bilhões, equivale a cerca de 10% da receita anual e pode ser utilizado para investimentos, liberando margem na receita corrente líquida para valorização dos servidores.
A presidenta do Sindipúblicos destaca que apenas 35% da arrecadação é destinada ao funcionalismo do Executivo. Ela adverte que esse índice está bem abaixo do mínimo de 44,1% previsto pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Para o Sindipúblicos, há espaço orçamentário e uma dívida histórica com os servidores, que foram fundamentais para o equilíbrio das contas públicas em gestões anteriores.
Segundo o Sindipúblicos, o reajuste pode recuperar até 30% dessas perdas, oferecendo uma oportunidade concreta de reequilíbrio financeiro para milhares de trabalhadores.
Mobilizações
Desde o início da greve, na terça-feira (7), o Sindipúblicos vem organizando mobilizações nas autarquias. Na quinta-feira (9), um ato na sede do Incaper reuniu profissionais de várias categorias e autarquias. A mobilização também aconteceu em vários locais de trabalho em todo o Estado. Há atividades previstas para este sábado (11). Segundo o Sindipúblicos, o objetivo do ato do sábado é ampliar o diálogo com a população sobre a legitimidade da greve e explicar quais são os pleitos da categoria.
Carlão reiterou o apoio à paralisação e lembrou que um Estado eficiente passa obrigatoriamente pela valorização dos servidores e servidoras. “É reprovável a posição do governo em não reconhecer o trabalho dos servidores. “O Sindipúblicos é uma entidade aliada e pode contar sempre conosco. Já estivemos lado a lado em muitas lutas. Estamos juntos!”, avisou Carlão.

