Representantes do Comando Nacional dos Bancários se reuniram nessa segunda-feira, 12, com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) para discutir sobre a segurança bancária. À ocasião foi instituído o funcionamento do Grupo de Trabalho (GT) bipartite que passa a tratar especificamente das questões relacionadas à segurança. A instalação do GT estava prevista na Convenção Coletiva do Trabalho (CCT) dos bancários de 2022-2024. Nessa primeira reunião, a Fenaban manteve a posição defendida na Campanha Nacional do ano passado, ou seja, insistiu no argumento de que houve redução no número de assaltos a agências e postos bancários entre 2000 e 2021. 

“A Fenaban chega ao GT com posição formada no sentido de desmontar os dispositivos de segurança, ou seja, dentro da lógica de lucro sem limite, os bancos querem cortar custos com vigilantes e aparatos de segurança. Não podemos retroceder nenhum um passo em questões que envolvem diretamente a proteção às vidas de trabalhadores e clientes”, sustenta o diretor do Sindicato dos Bancários/ES e membro do Comando Nacional dos Bancários Carlos Pereira de Araújo (Carlão).

O dirigente afirma que a Fenaban teve a desfaçatez de propor aos membros do GT que se juntem aos bancos para derrubar leis estaduais e municipais que exigem aparatos de segurança além dos previstos na Lei Federal 7.102/1983, que regulamenta a segurança bancária. “O Sindibancários tem posição formada há anos sobre essa questão. Sempre lutamos pela presença de vigilantes nas agências e pela instalação de todos os aparatos de segurança previstos na legislação, como a manutenção das portas giratórias, por exemplo. Não foi uma ou duas vezes que o Sindicato precisou recorrer à Justiça para manter as portas giratórias”, lembra Carlão. 

Ele acrescenta que a segurança bancária não é somente uma questão restrita às demandas da categoria, mas da sociedade. “Além dos trabalhadores, clientes e usuários do sistema bancário também ficariam mais vulneráveis se as medidas de segurança forem relaxadas. O Sindicato é radicalmente contra mudanças que rebaixam conquistas da categoria”, enfatiza Carlão..  

Os membros do GT também expuseram aos banqueiros que os trabalhadores vêm sofrendo agressões nas agências nos últimos meses. “A sensação de insegurança não é só causada pelos assaltos, também acontecem inúmeros casos de ameaças e agressões físicas, mais uma comprovação da necessidade de manter os vigilantes”, afirma Nilton Damião Esperança, presidente da Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro do Rio de Janeiro e do Espírito Santo (Fetraf RJ/ES). Carlão complementa: “O GT deveria estar debatendo soluções para aumentar a segurança de trabalhadores e clientes, mas os banqueiros chegam como uma proposta que põe o lucro acima das vidas”, critica. 

Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta que 48% das transações que acontecem nas agências são movimentação financeira. Segundo o Dieese, o dado demonstra a necessidade de os bancos manterem os sistemas de segurança e vigilantes em qualquer tipo de agência bancária, sejam as tradicionais ou as de negócios.