A semana de trabalho de quatro dias sem redução salarial já não é mais uma utopia para a categoria bancária. A proposta, que já havia aparecido na minuta da Campanha Nacional dos Bancários de 2022, voltou com mais força este ano e estará entre as reivindicações para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria. Nesta terça-feira (02), na segunda rodada de negociações com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), além da jornada de 4 dias, que está dentro do guarda-chuva “Cláusula Sociais”, o Comando Nacional dos Bancários também discute teletrabalho, segurança física/digital no setor bancário.
Na avaliação do dirigente do Sindibancários/ES e integrante do Comando Nacional dos Bancários, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), o debate foi amadurecendo da Campanha de 2022 para cá e o tema foi ganhando espaço na pauta da categoria. “Para os bancos, é perfeitamente plausível a implantação da semana de 4 dias. Basta vontade política. Semana de 4 dias não é mais um bicho de sete cabeças”. O dirigente acrescenta que os empregados também precisam ser contemplados pelos avanços tecnológicos. “A tecnologia não pode ser usada como ferramenta para impor e controlar metas, com vistas a ampliar as margens de lucro dos bancos. A tecnologia só faz sentido quando está a serviço do ser humano”, afirma.
SAIBA MAIS: SEMANA DE QUATRO DIAS DE TRABALHO É UTOPIA POSSÍVEL
Carlão aponta algumas vantagens que a semana de 4 dias pode trazer para o trabalhador. Na primeira mesa, recorda o dirigente, discutimos a defesa do emprego bancário. Segundo ele, a redução da jornada fomentaria novas contratações.
Outro benefício apontado por Carlão é com relação à saúde do trabalhador. “O adoecimento da categoria é notório. Não por acaso, é um dos temas centrais nas discussões deste ano. A jornada reduzida é uma importante aliada para amenizar o estresse diário do trabalhador, que poderia dedicar mais tempo para cuidar de si mesmo, reduzindo o adoecimento, sobretudo o mental”, salienta.
Um relatório do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com base em estudos e programas pilotos no Brasil e em outros países, liderados pela organização não-governamental 4 Day Week Global, revela que a redução da jornada para quatro dias, além de proteger empregos, melhora a qualidade de vida e a produtividade dos trabalhadores, portanto, é bom também para as empresas.
“Ao aliviar a carga de pressão sobre o trabalhador, a tendência é que o ambiente de trabalho também melhore, como aponta o estudo do Dieese. Experiências bem-sucedidas de redução da jornada têm sido cada vez mais recorrentes”. Ele adverte, no entanto, que os benefícios da redução da jornada só terão efetividade se outras reivindicações também forem atendidas pelos bancos. “Não resolve reduzir a jornada e intensificar ainda mais a cobrança por metas nos quatro dias”, enfatiza Carlão, apontando o eixo da minuta da Campanha Nacional 2024 que propõe “o fim do assédio e dos instrumentos adoecedores na cobrança de metas”.
Outras pautas da mesa
Os trabalhadores também levarão para mesa reivindicações desta terça-feira pautas sobre teletrabalho e segurança física e digital no setor bancário.
Em relação ao teletrabalho, a categoria é atualmente referência sobre o tema, depois de ter se tornado a primeira, em 2022, a conquistar 12 cláusulas que garantem a saúde e a dignidade do trabalhador no home office. No conjunto, as cláusulas abrangem direitos, ambiente doméstico, equipamentos e mobiliário adequados, respeito à jornada, auxílio financeiro para compensar o aumento de gastos em casa e prevenção a abusos e assédio. Carlão pondera, porém, que o teletrabalho precisa ser revisado constantemente, porque é um modelo ainda em processo de implantação.
“A necessidade de isolamento social durante a pandemia da covid-19 praticamente empurrou a categoria bancária para o teletrabalho. Mas esse é ainda um modelo em construção que requer ajustes. Pretendemos aparar essas arestas na mesa de negociações deste ano”, afirma Carlão.
Calendário de negociação
Julho
02/07 – Cláusulas sociais
11/07 – Igualdade de oportunidades
18 e 26/07 – Saúde e condições de trabalho: incluindo discussões sobre pessoas com deficiência, neurodivergentes e combate ao assédio e programas de metas
Agosto
6 e 13/08 – Cláusulas econômicas
20/07 – Em definição
27/07 – Em definição








