Lançamento do livro “Bancários do Espírito Santo” é marcado por emoção, reencontros e memórias

17/08/2023 16:55

O evento de lançamento do livro “Bancários do Espírito Santo – 80 anos construindo a luta e a resistência da classe trabalhadora” uniu a velha e a nova guarda do movimento sindical capixaba. A proposta da publicação de resgatar a história de luta do Sindicato fez muita gente se emocionar ao mergulhar no passado 

(Da esq./dir.) André, Rita, Lucian, Goretti, Júlia, Charles, Rodrigo, Jonas e Carlão (Foto: Sérgio Cardoso/Sindibancários/ES)

A data de 16 agosto passa a ser histórica para o Sindicato dos Bancários/ES. Na noite desta quarta-feira foi lançado o livro “Bancários do Espírito Santo – 80 anos construindo a luta e a resistência da classe trabalhadora”. Dirigentes sindicais, militantes dos movimentos populares, políticos e bancários e bancárias foram ao Centro Sindical dos Bancários, centro de Vitória, prestigiar a publicação que reúne oito décadas (1934 a 2014) de histórias de resistência e luta do Sindicato. “O Sindicato é uma construção coletiva. Essa história que vai sendo escrita um pouquinho a cada dia não poderia se perder. Desde 1994, preservar a memória é uma prioridade da diretoria deste Sindicato. Ao longo desses 80 anos passamos por diferentes fases, enfrentamos governos ditatoriais e muitos outros desafios, mas chegamos até aqui participando ativamente das lutas da sociedade. Da luta em defesa dos trabalhadores, indígenas, quilombolas, das ocupações pela reforma agrária e pelo direito à moradia e tantas outras. No balanço, podemos dizer que construímos uma história vitoriosa”, afirmou, emocionada, Rita Lima, coordenadora-geral do Sindicato e uma das principais idealizadoras do projeto, nas saudações da abertura do evento. 

Em seguida, a dirigente reuniu no palco o professor do Departamento de História da Ufes André Pereira e os pesquisadores Júlia Ott Dutra, Lucian Rodrigues Cardoso, Rodrigo Carvalho Santos Lima e Charles Bertocchi. A equipe foi responsável por levantar fontes, fazer entrevistas, pesquisas e registrar a história do Sindicato nas 240 páginas da publicação. O professor, após agradecer o trabalho da equipe, destacou: “O Sindicato é uma organização coletiva e o livro é um trabalho coletivo”. Em seguida, André Pereira disse que há momentos na história em que os sindicatos alcançam um nível de organização que vai além das suas bases profissionais, e passam a lutar com outros grupos e outras entidades em nome da classe trabalhadora. “Esses momentos são históricos e são difíceis de acontecer porque o ‘inimigo de classe’ faz de tudo para impedir”. 

Da esq. para dir.: Lucian, Rita, Júlia, Charles e Rodrigo. Em destaque, o professor André (Fotos: Sérgio Cardoso/Sindibancários-ES)

Mais à frente, Pereira lembrou que a pauta das reformas de base propunha uma mudança estrutural do Estado em favor da classe trabalhadora, inversão dessa correlação de forças no controle do poder de Estado. Ele cita a luta histórica do Sindicato dos Bancários em defesa do Banestes público e estadual para ilustrar esse enfrentamento do movimento sindical contra o inimigo de classe. “A defesa do Banestes foi uma verdadeira epopeia. Não dava para falar aqui de todos os episódios dessa luta que se mantém até hoje. Claro que o Sindicato se coloca na defesa de todos os bancos públicos, mas a epopeia em defesa do Banestes é uma luta exclusiva dos bancários do Espírito Santo. Acho que ela representa as dificuldades, os desafios que a categoria precisou enfrentar. Chamar sua base, se articular com a sociedade, ocupar as ruas para dizer: ‘é esse Estado que nós queremos, com esse projeto’. Toda essa articulação, sabemos, é muito difícil”, advertiu Pereira, que completou. “O Sindicato dos Bancários, junto com outras entidades, tem se comprometido, ao longo de sua história, isso está registrado no livro, com essa pauta em defesa da categoria bancária e de toda a classe trabalhadora”, finalizou o professor.

Painel com fotos históricas das lutas do Sindibancários chamou a atenção dos convidados

A seguir, acompanhe os depoimentos de dirigentes sindicais, lideranças sociais e políticos que foram homenagear o lançamento do livro. 

Manoel Elídio Rosa (Intersindical – Central da Classe Trabalhadora)
“A nossa categoria sempre lutou por unidade. E essa unidade sempre nos fortaleceu, nos garantiu direitos. E este Sindicato teve momentos importantes”. O dirigente da Intersindical destacou a greve de 2004, uma das mais longas da categoria, que durou 31 dias. “O Sindibancários, junto com a Intersindical, teve um papel preponderante nessa greve. Nos manifestamos contra a proposta dos bancos e convencemos as outras correntes a decidir pela greve. É um prazer para mim estar aqui representando a Intersindical neste momento histórico”.

 

Claudio Merçon (Cacau) – Fetraf RJ/ES
“Em nome do presidente da Fetraf Rj/ES, Nilton Damião, que infelizmente não pôde estar aqui hoje, saúdo você, Rita Lima, e toda a categoria bancária. Uma categoria de luta, de greve, de manifestações e de muitas vitórias”. Cacau destacou em seguida que o evento de lançamento do livro permitiu rever muita gente importante para o movimento sindical. “Vamos combinar uma coisa: vamos lançar um livro a cada ano. Pode ser um livreto”, brincou. “Só para encontrarmos com todas essas pessoas novamente”. No final de sua fala, Cacau reiterou: “Se derrotamos Bolsonaro, podemos e devemos continuar com a nossa luta agora para derrotar o bolsonarismo, que segue vivo, presente”. 


Clemildes Cortes Pereira (CUT-ES)
A dirigente destacou os diversos momentos em que as duas entidades estiveram lado a lado na luta. Clemildes falou também sobre a importância de registrar essa história. “É preciso preservar essa história de luta do Sindibancários”. Clemildes também destacou que a derrota imposta a Bolsonaro teve participação ativa do Sindibancários, Intersindical e CUT. 

 

 

Wellington Barros (Unegro)
“Quem não sabe de onde veio, corre o sério risco de não saber para onde vai”, disse o militante do movimento negro em menção à importância da iniciativa do Sindicato de registrar sua história. “São 80 anos de luta, e é na luta que a gente se encontra. O Sindicato dos Bancários sempre foi um aliado de primeira-hora do movimento negro e do movimento social como um todo. Esse registro é importante, do ponto de vista da memória, para honrar os que vieram antes, mas também para inspirar as novas gerações que virão”. 

Maria Helena Vasconcelos (Movimento Policiais Antifascismo)
A militante falou sobre a importância de sistematizar a história. “Os trabalhadores precisam se apropriar e registrar sua história. Se não, em muitas lutas que nós não conseguimos total sucesso, a versão que fica é a dos vencedores. A classe trabalhadora aprende mesmo quando não consegue avançar em todos os seus objetivos. O Sindicato dos Bancários é uma referência na organização de trabalhadores, que criou vínculos com os movimentos sociais e com a sociedade. Fica o meu parabéns pelo livro e o meu reconhecimento porque, quando iniciei minha militância sindical, no Sindicato dos Policiais Civis, e precisava de formação e aliados, o Sindicato dos Bancários abriu seus braços para o nosso movimento sindical”. 

 

Valdeni Fagundes Ferraz (Movimento Nacional da Luta por Moradia)

“Este é um Sindicato classista que defende a classe trabalhadora e sabe aonde quer chegar”. O militante também destacou a união dos movimentos sindicais e populares na derrota de Bolsonaro. “Se derrotarmos Bolsonaro, também podemos derrotar o bolsonarismo. Já vivenciamos muitas lutas ao lado do Sindicato dos Bancários. O Movimento Nacional por Luta por Moradia sempre contou com o apoio do Sindicato”. Valdemir ainda registrou que estava representando o Movimento em nome de Maria Clara da Silva, liderança histórica na luta por moradia no Espírito Santo.

 

Geovane Souza (Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB)
“Na abertura disseram, o livro representa a luta dos que estão presentes, mas sobretudo a memória dos que não estão mais aqui mas fizeram essa luta. O MAB, de alguma maneira, é um movimento de muitos que estão mais aqui. A iniciativa do Sindicato de registrar esses 80 anos de história é importantíssima. Diz um antigo ditado: ‘Um povo que não conhece a sua história, é um povo sem memória’. Trazer essa história de luta, resistência, é um legado essencial para as futuras gerações”.

Edmar Martins André (Apcef-ES)
O vice-presidente da Apcef-ES, em nome da entidade, parabenizou a iniciativa do Sindicato dos Bancários. “Quero parabenizar a Rita Lima, e, em nome dela, a todos integrantes desta diretoria pela publicação”. 

 

 

Ane Halama – (presidenta do PSOL-ES)
“É uma alegria estar aqui esta noite, de poder fazer parte desta festa, de estar debaixo deste grande guarda-chuva que a Intersindical e o Sindicato dos Bancários. Um Sindicato que está sempre presente nas lutas. Foram muitas lutas, algumas vencemos, outras não. Mas tenho certeza que serão outros 80 anos de muitas lutas e muitas vitórias”.

André Moreira (vereador/PSOL)
“O registro de 80 anos de história de uma entidade como o Sindicato dos Bancários é uma marca que fica para as próximas gerações. Essas gerações precisam saber que não se constitui e se organiza uma entidade como o Sindicato dos Bancários sem uma necessidade de produzir ações, lutas, greves, manifestações que marcaram a história de luta da classe trabalhadora no Espírito Santo. História que de certa forma esteve integrada à história do Brasil neste período todo”. 

 

Iriny Lopes (deputado estadual/PT)
“80 anos de Sindicato dos Bancários é um momento muito especial, porque este Sindicato esteve sempre na posição de vanguarda na luta sindical capixaba. Em momentos de grandes dificuldades, em que a classe trabalhadora estava sendo oprimida, massacrada. O Sindicato dos Bancários nunca mascou. Sempre esteve firme na luta”. 

 

 

José Roberto Dudé (representando o mandato do deputado estadual João Coser/PT)
Dudé, em nome de Coser, agradeceu e parabenizou o Sindicato dos Bancários pela publicação do livro que reúne essa história de luta dos trabalhadores e trabalhadoras. “Sabemos que a história do Sindicato não caberia tampouco numa enciclopédia, que dirá num livro. Mas a equipe do professor André teve a capacidade de resumir com competência esses 80 anos de luta do Sindicato dos Bancários em defesa da categoria bancária e da classe trabalhadora”. Dudé, no final, lamentou mais uma vez que o deputado, em função de compromissos, não pôde comparecer a uma festa tão especial. 

 

Confira mais fotos do lançamento do livro
(Fotos: Sérgio Cardoso/Sindibancários/ES)