Talvez não seja por acaso que o Banestes evitou fazer alarde sobre os resultados de 2021. No site institucional, o banco anunciou nessa terça-feira, 22, lucro líquido de R$ 251 milhões e admitiu que o resultado é 8,1% superior aos R$ 232 milhões apurados em 2020. O Banestes preferiu não dizer diretamente, não se sabe por que, mas o resultado de 2021 é novo recorde histórico do banco. O último tinha sido registrado justamente em 2020. O Banestes informou que o resultado está relacionado ao crescimento das receitas com crédito (+12,1% em 12 meses) e das receitas com operações de tesouraria (+62,3% em 12 meses).
Lucro volta em investimentos
O diretor do Sindicato dos Bancários/ES Jonas Freire ressalta que R$ 130 milhões, ou seja, mais da metade do lucro apurado, estão retornando para a sociedade capixaba em forma de investimentos. “Na condição de acionista controlador, o governo do Estado recebe, sob a forma de dividendos e juros sobre capital próprio, esse expressivo montante que será aplicado em projetos que irão beneficiar a própria população. Para quem ainda questiona por que o Estado tem de manter um banco público, esse é um dos motivos que justificam a existência do Banestes”.
Além desse retorno direto à população, acrescenta o dirigente, é papel do banco público fomentar linhas de crédito à micro, pequena e média empresa, à agricultura familiar e a outros projetos sociais que não teriam acesso ao crédito via bancos privados. “Sem contar que o banco, em momento de calamidade pública, como enchentes, por exemplo, tem dado suporte financeiro, com linhas de crédito especiais, às famílias atingidas”, destaca Jonas.
PL ameaça Banestes
Quem olha para os resultados do Banestes nos últimos anos percebe que o banco vem numa crescente. De 2015 para cá, o lucro sempre esteve acima de R$ 150 milhões. Em 2019, 2020 e 2021, o lucro rompeu a casa dos R$ 200 milhões. “Por isso causou indignação e surpresa ao Comitê em Defesa do Banestes Público e Estadual, quando recebemos a informação de que o governo do Estado encaminhou um Projeto de Lei à Assembleia Legislativa, que permite à direção do Banestes adquirir, diretamente ou por meio de suas subsidiárias, participações em sociedades, especialmente de tecnologia, startups ou fintechs, nacionais ou estrangeiras, bem como criar novas subsidiárias, controladas direta ou indiretamente pelo banco”.
Jonas acrescenta que o PL, que é “explicado” em 10 linhas, é um cheque em branco para o governador Casagrande iniciar o processo de privatização do banco público. “Caso o PL seja aprovado pela Assembleia, a população capixaba pode dar adeus ao banco como conhecemos hoje”.
O dirigente diz que não adianta o governador tentar dissuadir a população e a classe política de que não irá privatizar o banco e suas subsidiárias. “A verdade é que a Banestes Seguros está prestes a ser vendida e o PL abre caminho para o governo negociar os ativos mais valiosos do banco. Se não derrubarmos esse PL com a ajuda dos banestianos, da Assembleia e da população, os próximos resultados do banco serão distribuídos para os acionistas do banco que, com certeza, não será mais a população capixaba”, alerta o dirigente.






