Na tarde dessa quarta-feira, 02, a Comissão Executiva dos Empregados (CEE-Caixa) se reuniu com representantes do banco para reivindicar melhorias dos protocolos de segurança sanitária e de prevenção à covid-19. Os integrantes da CEE afirmaram que os protocolos não estão sendo cumpridos com o rigor que exige o atual momento da pandemia, com o aumento exponencial das curvas de casos causadas pela variante ômicron. Sanitização adequada das agências, falta de álcool em gel, medidas de contingenciamento do atendimento e o não afastamento de empregados infectados foram questões discutidas na mesa.

Da pauta de reivindicações em relação à covid, avalia a diretora do Sindicato dos Bancários/ES Lizandre Borges, os representantes do banco só se comprometeram em fornecer as máscaras tipo PFF2, que são indicadas como mais eficazes na proteção ao vírus pela comunidade científica. A dirigente, que também integra a CEE Caixa, disse que não houve compromisso da Caixa em tornar o cumprimento dos protocolos sanitários mais rigorosos.

Máscaras

O banco acatou a reivindicação dos empregados com relação ao fornecimento de máscaras adequadas para resguardar os empregados do contágio e transmissão das novas cepas do vírus da covid-19. Mas ainda não há definição se o banco vai destinar recursos para a compra ser executada pelas próprias unidades ou se será feita uma compra centralizada para a distribuição. A Caixa ficou de dar uma resposta sobre a forma de operacionalização na próxima semana.

“Não dá para considerar o fornecimento de máscaras PFF2 como uma grande conquista. Ora, no ano três da pandemia, com uma variante agressiva se espalhando em projeção geométrica, combinada com um surto de gripe, não tem como continuar usando máscara de tecido. A Caixa já deveria estar distribuindo máscara PFF2 ou N95 para seus empregados há muito tempo”, critica.

Protocolos

Em resposta às críticas dos trabalhadores, os representantes da Caixa disseram que todos os gestores e empregados recebem orientação para seguir à risca todos os protocolos de segurança sanitária e prevenção contra Covid-19 e que são disponibilizadas máscaras, álcool em gel e em líquido 70%, além de cloro para a higienização das unidades. Ressaltaram, ainda, que todos os dias se faz a higienização de todas as unidades, independentemente de haver casos confirmados de contágio, e que, caso haja casos confirmados, é feita a devida sanitização do ambiente.

As informações apresentadas pela Caixa foram contestadas pelos trabalhadores. “Os representantes da Caixa tentaram tratar o relaxamento dos protocolos na rede, que é geral, como um problema pontual. O movimento sindical tem recebido queixas diárias sobre o não cumprimento dos protocolos. Recebemos no Sindicato quase todos os dias denúncias nesse sentido. Acho que os interlocutores da Caixa precisam conhecer melhor a realidade das agências. Se eles se propuserem a conhecer os fatos, terão uma visão bastante diferente dessa realidade distorcida que eles trouxeram para a reunião”, pontua Lizandre.

Sobre o questionamento da não aplicação dos protocolos, o banco se comprometeu a reforçar as orientações para os gestores de que as medidas sanitárias devem ser cumpridas e pediu a contribuição do movimento sindical para que esta informação seja transmitida para todo o país. Pediu também para que a fiscalização continue ocorrendo.

Contingenciamento do atendimento

O banco disse que não existe nenhuma previsão para que haja qualquer tipo de contingenciamento do acesso de clientes às agências. Inclusive, esclareceu que os contratos que permitiram a contratação de seguranças e recepcionistas para contribuir com a organização das filas e instrução aos clientes durante a onda da covid em 2021, foram encerrados em outubro passado e não há previsão de novas contratações com essa finalidade.

Concurso de 2014

O banco confirmou que serão nomeados, ao menos, mil novos empregados do concurso de 2014. Lizandre explicou que, segundo a Caixa, desse total, 198 pessoas com deficiência (PcDs) já foram convocadas. A dirigente conta que causou constrangimento aos representantes da Caixa o fato do presidente do banco, Pedro Guimarães, ter anunciado em julho do ano passado que a Caixa contrataria 10 mil novos empregados. “Importante registrar que esse anúncio de mil representa 10% do contingente prometido por Guimarães”.

Para refrescar a memória dos interlocutores, que não se lembravam da promessa do presidente da instituição, os integrantes da CEE recuperaram as matérias publicadas na imprensa à ocasião das declarações de Guimarães.

Fórum paritário

A criação do fórum paritário, antiga demanda do movimento sindical, foi finalmente aceita pelo banco. Lizandre explica que o fórum vai se reunir semanalmente. “Neste momento, a prioridade é discutir questões relacionadas aos protocolos de prevenção contra a covid-19”.

A discussão sobre uma nova contratação de seguranças de apoio ao atendimento é uma das pautas que devem ser levadas ao fórum. Lizandre acrescenta também que outro tema que deve estar em discussão é a definição de um parâmetro sobre o número mínimo de empregados necessários para abrir uma agência. “Hoje não há parâmetro definido. Com o crescimento dos casos de covid e o afastamento em decorrência da doença, temos recebido informações de agências funcionando com três empregados. Esse é um número impraticável. É preciso definir um percentual mínimo”.

A dirigente lembra que, em caso de greve, o percentual mínimo para manter a agência funcionando é de 50% dos empregados. “Talvez essa possa ser uma referência para iniciarmos essa discussão”, sugere.

PLR e promoção por mérito

Os trabalhadores questionaram o banco sobre a possibilidade de antecipação do pagamento da Participação nos Lucros e/ou Resultados (PLR), conforme solicitado pela Contraf em ofício ao banco. O banco se limitou a dizer que recebeu a solicitação, mas que não existe resposta para a demanda. Se o pedido não for atendido, a data de pagamento permanece como prevista na Convenção Coletiva de Trabalho (31/3/2022).

O banco também disse não ter resposta sobre a proposta ratificada pelos trabalhadores na reunião do Grupo de Trabalho de Avaliação por Mérito ocorrida na última segunda-feira, 31. Segundo os representantes da Caixa, ainda é preciso que a proposta seja analisada para que se faça um estudo sobre a possibilidade, ou não, de se acatar a proposta dos trabalhadores, que prevê a distribuição de um Delta linear para todos. Com relação ao segundo Delta, seriam obedecidos os critérios estabelecidos pelo banco.

“Em meio a uma pandemia que entra no seu terceiro ano, com o adoecimento dos empregados em escala, não podemos aceitar a GDP [Gestão de Desempenho de Pessoas] como métrica única de avaliação. “Reiteramos a defesa do Delta linear para todos e todas”. A dirigente acrescenta ainda que a GDP é subjetiva, utilizada como instrumento de assédio moral e pressão sobre os bancários para o cumprimento de metas em plena pandemia.

Mobilização continua

A mobilização para o cumprimento dos protocolos sanitários de prevenção à covid continua, afirma a dirigente. Nesta quinta, 03, diretores e diretoras do Sindicato retardaram a abertura da agência Caixa da Praia do Canto, localizada na Reta da Penha, em Vitória. Segundo Lizandre, o ato marcou o Dia Nacional de Luta dos empregados do banco no Espírito Santo. A manifestação foi por melhores condições de trabalho e pelo cumprimento dos protocolos para mitigar os casos de covid-19 nas unidades da Caixa.