Bancários retardam abertura da Caixa Praia do Canto em dia de protesto

03/02/2022 12:56

A manifestação foi por melhores condições de trabalho e pelo cumprimento dos protocolos para evitar casos de covid-19 nas unidades da Caixa

O retardamento em uma hora da abertura da agência Praia do Canto da Caixa Econômica Federal, localizada na Reta da Penha, em Vitória, marcou o Dia Nacional de Luta dos empregados do banco no Espírito Santo, realizado nesta quinta-feira, 3. Ao invés de abrir às 10h, a agência começou a funcionar às 11h. A manifestação foi por melhores condições de trabalho e pelo cumprimento dos protocolos para evitar casos de covid-19 nas unidades da Caixa.

A diretora do Sindicato Rita Lima denunciou o não cumprimento de medidas de segurança por parte da direção do banco. Segundo ela, um terço dos empregados da Caixa no Estado já tiveram covid-19, prejudicando inclusive o atendimento aos clientes. “Esse é um protesto de advertência, por isso estamos de vermelho, mostrando nossa disposição de luta. Se não atenderem às nossas reivindicações e respeitarem as condições de trabalho nós vamos parar o Brasil”, avisou.

Segundo Rita Lima, um outro problema vivido na Caixa é a pressão para o cumprimento de metas. “É uma coisa absurda. Em tempos de pandemia, a Caixa estabelece metas de venda de produtos impossíveis de cumprir sem estar em contato com os clientes. Então a gente também denuncia o assédio moral em cima do conjunto dos empregados”.

Ronan Teixeira, diretor do Sindicato, afirmou que apesar de alguns insistirem em dizer que a covid-19 está mais branda, não é o que a realidade nas agências indica. “Temos um aumento exponencial de casos. O banco não tem número oficial dos casos, o que atrapalha o controle e a fiscalização”, disse. Ele ressaltou que o protesto desta quinta-feira exige apenas o cumprimento dos protocolos que a própria empresa coloca: sanitização das unidades e utilização dos instrumentos que protegem bancários e clientes, com distribuição das máscaras corretas pelo banco e distanciamento para diminuir o contágio.

“Não podemos deixar, neste momento que se agrava a pandemia, que sejam tratados casos individualmente por essa instituição negacionista. Os bancos são ambientes vulneráveis, precisamos reagir. A Caixa existe há mais de 161 anos e não pode ficar à mercê dos que se apropriam do patrimônio dos brasileiros. Juntos vamos lutar para sair dessa situação de calamidade que vivemos. O Sindicato continuará lutando pela vida dos empregados e clientes”, afirmou Ronan Teixeira.

Na agência Cachoeiro, também teve protesto contra o descaso do banco que tem desrespeitado o protocolo de prevenção à covid

Ambiente inseguro

O avaliador de penhor da agência Praia do Canto Pedro Efrem Fae afirma que o ambiente de trabalho é inseguro. “Eu fiquei um ano e meio em home office e não peguei covid-19. Em um mês de retorno ao trabalho presencial eu tive covid-19. É fato que não é seguro estar na agência. Ao lidar com cliente o dia inteiro, inclusive pessoas que não estão vacinadas, a possibilidade de pegar o coronavírus é muito grande”, afirmou.

Na sua avaliação, o ideal seria manter os empregados no trabalho remoto até a pandemia estar mais controlada. “Houve uma precipitação com a diminuição dos índices da pandemia. Aí surgiu essa variante nova e a Caixa não se atentou para isso. Uma prática que deu certo foi o home office. Ajuda a preservar nossas vidas”.

Vítima da covid

Um outro bancário da agência que prefere não se identificar lembra que os empregados da Caixa permaneceram desde o início da pandemia trabalhando na linha de frente para pagar os benefícios sociais do Governo Federal. “Em contrapartida, a única medida que o banco assumiu foi colocar os empregados pertencentes ao grupo de risco trabalhando remotamente em home office, com jornada, inclusive, que ultrapassava nossas seis horas diárias, pois não havia registro de ponto no sistema”, afirma.

O empregado foi uma das vítimas da covid-19, mas não o único no local de trabalho. “No mesmo período que eu, mais três colegas também testaram positivo. A agência foi higienizada pelas próprias funcionárias da limpeza. Não existia uma equipe especializada ou quantidade de funcionários suficientes para dar agilidade à higienização. A agência foi aberta aos clientes com forte cheiro de produtos químicos”, conta.

Segundo ele, a iniciativa de fazer a testagem para covid-19 é do bancário: “Na minha opinião, se um colega testa positivo todos os demais deveriam fazer o exame; e a higienização deveria ser feita por equipe especializada. Deveria haver um período maior entre a aplicação dos produtos químicos e liberação da abertura da agência”.

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