Partido entrará com ação pedindo cancelamento da operação BB-BTG

09/09/2020 09:32

A denúncia que será apresentada ao Ministério Público Federal questiona a cessão de carteira de crédito do BB avaliada em R$ 2,9 bilhões cedida por R$ 370 milhões ao BTG

O deputado federal Glauber Braga informou que o PSOL entrará com ação no Ministério Público Federal (MPF) pedindo o cancelamento da operação envolvendo a venda de uma carteira de crédito do Banco do Brasil avaliada em R$ 2,9 bilhões e cedida por R$ 370 milhões ao BTG Pactual, cujo cofundador é o ministro da Economia Paulo Guedes. Em entrevista à imprensa, o parlamentar disse que a cessão “não é um trocadinho” e que a operação é um “negócio escandaloso”.

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O caso ganhou repercussão pelo ineditismo da operação. Foi a primeira vez que o BB fez a cessão de carteira a um banco que não pertence ao seu conglomerado, no caso, a Ativos, que tem uma taxa média de retorno de 23% ao BB. Para a diretora do Sindicato dos Bancários/ES, Goretti Barone, a cessão atípica da carteira ao BTG levantou suspeição pela falta de transparência e pelo fato de Guedes ter um histórico com o BTG. “Como desconsiderar que Guedes é um dos fundadores do BTG e que a operação teve o dedo do ministro? A iniciativa do deputado de provocar o Ministério Público pode abrir caminho para uma investigação. É imprescindível auditar essa operação realizada sem nenhuma transparência”, enfatiza Goretti.

Censura

A operação envolvendo o BTG voltou à tona novamente na semana passada. No último dia 28 de agosto, a 32ª Vara Cível do Rio de Janeiro obrigou o Jornal GGN, editado pelo jornalista Luis Nassif, a retirar 11 matérias do site sobre operações suspeitas do BTG Pactual, sob pena de multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento. Além de determinada que as matérias fossem retiradas, o juiz Leonardo Grandmasson Ferreira Chaves ainda impôs censura prévia ao site ao proibir a publicações de novos conteúdos relacionados ao banco BTG.

“O caso de censura ao jornalista Luis Nassif é uma afronta à Constituição porque fere o direito à liberdade de expressão. O juiz ainda aplicou censura prévia ao veículo, expediente recorrente durante a ditadura. Quando o juiz impõe a censura, impede que o cidadão tenha acesso à informação. No caso em especial envolvendo as transações do BB e BTG, quanto mais transparência, melhor. A censura só levantou mais suspeição em torno da operação. Será que há algo a esconder?”, questiona Goretti.

Ela acrescenta ainda que faltou solidariedade da grande imprensa no episódio de censura a Nassif. “Sabe por que a grande imprensa mergulhou no caso de censura? Porque os grandes veículos de comunicação têm se comportado parcialmente quando a notícia envolve o ministro da Economia. A chamada grande imprensa invariavelmente blinda Paulo Guedes por um motivo simples: a política econômica defendida pelo presidente Bolsonaro e executada pelo ministro privilegia as elites empresariais e massacra a classe trabalhadora. Não podemos esquecer que os grandes grupos de comunicação deste país estão nas mãos das tradicionais famílias da aristocracia brasileira”, critica.

Glauber Braga também comentou a censura imposta pelo banco BTG Pactual contra o jornalista Luis Nassif. Por meio da Justiça, segundo ele, o BB conseguiu a determinação da retirada de todas as matérias publicadas pela página a respeito da operação. “A gente não pode aceitar essa censura ao Luis Nassif como fato consumado. E aquilo o que ele disse temos que repercutir e denunciar”, solidarizou-se.