Os empregados e as empregadas da Caixa se reuniram na noite dessa terça-feira, 04, para avaliar o movimento que retardou a abertura das agências por duas horas no último dia 27. Foram definidas também novas ações de mobilização contra o processo de desmonte do banco.

Na abertura, a diretora do Sindicato dos Bancários e membro da CEE-Caixa, Lizandre Borges, avaliou que, no balanço geral, o movimento incomodou. “Prova da apreensão que tomou conta da direção da Caixa foi a liminar que pleiteava a ilegalidade da greve”. A dirigente disse que muitos empregados se sentiram provocados pela liminar e passaram a apoiar o movimento de retardamento do atendimento por duas horas “A direção da Caixa deu um tiro no pé ao entrar com liminar para tentar coibir um direito legítimo do tralhador. Isso acabou gerando mais adesão ao nosso movimento”, avaliou.

Lizandre acrescentou também que foi importante a realização da plenária organizativa, na véspera do dia 27, para rediscutir a estratégia que decidiu pelo retardamento do atendimento em vez da greve 24h.

A diretora do Sindicato Goretti Barone destacou a importância do movimento para acender a fagulha para a luta. “O movimento funcionou como uma ‘esquenta’ da resistência. Importante agora é manter a mobilização e aumentar o engajamento para fortalecer essa frente de resistência”, sugeriu Goretti.

Claudio Merçon (Cacau), diretor da Fetraf RJ/ES, que participou dos piquetes do dia 27, relatou que se surpreendeu com o comportamento de alguns gerentes que tentaram intimidar os empregados que aderiram ao movimento. “Além da liminar, havia uma orientação da direção do banco para cercear a ação legítima do Sindicato. Isso é prática antissindical vedada na Constituição”. Cacau destacou ainda que essa intimidação é inaceitável. Ele também fez um balanço positivo do movimento.

Outros empregados também avaliaram que o movimento incomodou a direção da Caixa. “Mesmo não sendo uma greve de 24h, como proposto inicialmente, o retardamento da abertura teve repercussão porque a direção da Caixa ficou apreensiva temendo uma paralisação em meio ao pagamento do auxílio emergencial”, disse um bancário.

Outra empregada acrescentou que a paralisação de duas horas parece ter “acordado” os bancários. Sentimos novamente aquela sensação de que ainda podemos fazer greve”, completou.

Encaminhamentos

Após a avaliação, houve consenso sobre a realização de uma plenária mensal. “É uma plenária informativa para nos atualizarmos sobre os últimos acontecimentos em torno desse processo de desmonte do banco”, explica Lizandre.

Ainda nos encaminhamentos, os empregados destacaram a importância de se manter a mobilização e engajar mais trabalhadores e trabalhadoras para o movimento de resistência. “Esse é um ponto muito importante. Temos que nos manter apostos, prontos para o enfrentamento. Temos plena consciência de que os ataques não cessam com a IPO desse primeiro lote de ações da Caixa Seguridade. A direção da Caixa vai continuar vendendo novos lotes de ações e abrindo novas IPOs para se desfazer de outros valiosos ativos da empresa. Por isso foi colocado que cada empregado que já está engajado ao movimento tem a missão de trazer mais colegas para fortalecermos essa trincheira de resistência em defesa da Caixa”, finalizou Lizandre.