A Polícia Militar agiu com violência contra as trabalhadoras e os trabalhadores terceirizados do setor do asseio e conservação que estavam concentrados na portaria da empresa ArcelorMittal Tubarão, na Serra, na manhã desta quarta-feira, 23. Com bombas e tiros de borracha, a PM tentou acabar com o movimento grevista, iniciado na segunda-feira, 21, pelos terceirizados que atuam em indústrias do Espírito Santo.
A presidenta do Sindilimpe/ES, sindicato que representa os terceirizados, Evani Reis (Baiana) contou que os trabalhadores estão acampados na portaria da empresa desde a madrugada de segunda, de forma pacífica. Hoje, por volta das 7h40, chegaram mais de 30 viaturas da PM, segundo a sindicalista.
"A ideia era fazer um ato com todos os trabalhadores que atuam na ArcelorMittal e, depois do ato, liberar a entrada para os trabalhadores que não são os terceirizados representados pelo Sindicato. Chegaram [os policiais] atirando com bala de borracha, usando spray de pimenta, deram um tiro na testa de um trabalhador e no pescoço de outro. A cena foi de terror”, contou ela.
“O papel da polícia é proteger o povo, não a Arcelor. Nunca, desde que entrei para o Sindicato (em 2008), vi uma ação assim [tão violenta] da PM”, lembrou ela. Segundo Evani, a empresa não quer abrir as negociações com o Sindilimpe.
Greve
A greve é por tempo indeterminado e abrange trabalhadores que prestam serviço às empresas Portocel (Aracruz), Suzano Papel e Celulose (Aracruz), ArcelorMittal Tubarão (Serra) e Samarco Mineração (Anchieta) – hoje estão paralisados os trabalhadores da Arcelor e Samarco. O movimento foi aprovado em assembleias realizadas no dia 11 de julho, organizadas pelo Sindilimpe/ES . A greve implica a interrupção da produção industrial, pois sem o serviço da categoria não é possível dar continuidade às atividades.
As principais reivindicações dos trabalhadores e trabalhadoras são a melhoria e a equiparação dos benefícios pagos pelas empresas, como vale-alimentação, vale-transporte, cesta natalina e participação nos lucros e resultados (PLR). De acordo com a presidenta do Sindicato, há uma grande disparidade entre os benefícios concedidos pelas contratantes do setor industrial.
“A greve acontece porque os patrões não avançam nas negociações, mesmo após três rodadas de reuniões com o Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação do Espírito Santo (Seaces). São empresas que têm plenas condições de melhorar os contratos com as terceirizadas. Quem trabalha na Vale conseguiu vale-alimentação de R$ 1,2 mil, desconto no vale-transporte, PLR de um salário mínimo e cesta natalina. Os trabalhadores das outras indústrias também precisam ter seu trabalho reconhecido e recompensado”, defendeu Evani.
O Sindilimpe estima que mais de 5 mil trabalhadoras e trabalhadores, vinculados a cerca de 100 empresas terceirizadas, atuem atualmente em todo o setor industrial do Espírito Santo. Desses, cerca de 800 terceirizados são representados pelo Sindicato. A entidade reforça que permanece aberta à negociação e espera um gesto do setor patronal para encerrar a greve com a garantia de dignidade e do reconhecimento da importância dos trabalhadores e das trabalhadoras da limpeza.
Solidariedade
O Sindicato dos Bancários/ES, bem como diversos outros sindicatos capixabas, declararam solidariedade aos trabalhadores, apoio à luta do Sindilimpe e repúdio à atuação da PM. “É importante cobrar do governador Casagrande, que deixa as empresas usarem a PM para reprimir a luta legítima dos trabalhadores. Repudiamos essa ação truculenta da PM, que age com aval da empresa e do governo do Estado. Todo apoio ao Sindilimpe e nossa solidariedade aos trabalhadores”, declarou Carlos Pereira Araújo (Carlão), coordenador-geral do Sindicato dos Bancários/ES.
Com informações do Sindilimpe/ES
Vídeo: Sindilimpe/ES
Fotos: Sérgio Cardoso

