Na manhã desta quinta-feira (10), policiais militares estiveram na ocupação do Movimento de Resistência e Luta pela Terra (MRLT), em Conceição da Barra, com um suposto documento de reintegração de posse exigindo que as famílias o assinassem concordando com os termos apresentados para a reintegração.
“Fomos surpreendidos pela Polícia Militar e uma pessoa que se apresentou como Oficial de Justiça que estavam ali para fazer a reintegração de posse e que deveríamos assinar a ordem de despejo. Como não aceitamos assinar o documento, eles começaram a intimidar as pessoas exigindo documentos pessoais, tirando foto das famílias e dos veículos, insistindo que fariam a condução coercitiva para o DPJ de Vitória caso não assinássemos”, relatou Jhones Bruno Soares, da coordenação do movimento.
As famílias estão acampadas, desde o início de março, numa área da empresa Suzano Papel e Celulose no quilômetro 255 da estrada que liga Conceição da Barra a Itaúnas, no norte do Estado, onde há plantação de eucalipto. As famílias reivindicam que as terras que são devolutas sejam destinadas à produção de alimentos. Além disso, com a ocupação da área, o movimento também denuncia a grilagem de terras da Suzano.
De acordo com Agnaldo Cardoso, uma das lideranças da ocupação, os policiais apresentaram um documento em nome de uma associação que as famílias ali presentes desconhecem. “Os policiais chegaram aqui de manhã pressionando pras famílias apresentarem os documentos e ameaçando prender aqueles que não entregassem. Eles mostraram um documento de reintegração de posse em nome de uma pessoa ligada a uma associação que não faz parte do movimento e não está na ocupação. Eles queriam usar esse documento para despejar as famílias à força, sem diálogo”, denunciou.
As famílias relatam que foram momentos de tensão e que se sentiram intimidados enquanto eles rondavam pelo acampamento e denunciam a ação da polícia de tentar despejar as famílias sem diálogo, ameaçando e coagindo as pessoas.
“É um absurdo que a polícia aja dessa forma intimidando as famílias que ocupam de forma legítima e pacífica. A polícia mais uma vez mostrando que está a serviço da Suzano, defendendo os interesses das grandes empresas, fazendo papel de segurança privada da Suzano, ao invés de defender os interesses e direitos da população”, criticou Carlos Pereira Araújo (Carlão), diretor do Sindibancários/ES.









