Presidente do BB soa oportunista em vídeo para desconstruir imagem privatista de Bolsonaro

26/10/2022 20:17

Vídeo de Fausto Ribeiro repercutiu negativamente como uma iniciativa artificial e eleitoreira a mando de Bolsonaro

Por meio de vídeo endereçado ao funcionalismo, o presidente do Banco do Brasil, Fausto Ribeiro, negou o interesse do governo Bolsonaro na privatização do BB. O discurso, no entanto, não colou. Entre os empregados, o vídeo repercutiu negativamente como uma iniciativa artificial e eleitoreira a fim de angariar votos pró-Bolsonaro às vésperas da eleição.

“O presidente do BB teve inúmeras oportunidades de se posicionar sobre a privatização do banco, frente a várias declarações polêmicas do governo, em especial do ministro Paulo Guedes (Economia), mas nunca o fez. Soltar esse vídeo agora, a poucos dias do segundo turno da eleição presidencial, é oportunismo puro”, critica a diretora do Sindibancários/ES Cláudia Patrícia.

No vídeo, Ribeiro afirma que “nunca houve qualquer manifestação [do controlador] que não fosse a permanência da atual participação no capital do Banco do Brasil”. Foram amplamente noticiadas, no entanto, declarações de Paulo Guedes no sentido contrário. Em setembro de 2021, Guedes defendeu que Petrobras e Banco do Brasil entrassem “na fila” das privatizações. Em 2020, vídeo de reunião ministerial mostrou Guedes defendendo a imediata privatização do BB, enquanto Bolsonaro a planejava para 2023, ou seja, logo após a sua reeleição, se esta vier a acontecer. Guedes também foi enfático ao afirmar que “o Banco do Brasil é um caso pronto de privatização”.

A diretora Goretti Barone lembra que o projeto privatista de Guedes e Bolsonaro não está apenas no discurso e pode ser percebido no atual modelo de gestão do banco. “Nos últimos quatro anos foram fechadas 1.500 agências e eliminados 10.500 postos de trabalho. O banco teve sua carteira de crédito reduzida, foi enfraquecido como banco público e se voltou para o mercado. Esse é um movimento que aponta para a privatização e que precisa ser combatido”, diz Goretti.

Para a dirigente, a fala de Fausto não afasta o risco de privatização e os empregados devem permanecer alertas. “É uma fala descolada da realidade e dos fatos. Nos parece um vídeo encomendado, em que o presidente do banco denota inclusive certo desconforto. Constrangido ou não, o uso da máquina pública para fins eleitorais deve ser denunciado”, assinala Goretti.

Na gravação, Fausto também exalta a eficiência da Cassi e da Previ e sugere que as entidades foram valorizadas pela atual gestão, o que também é questionado pela dirigente sindical.

“Tanto na Cassi quanto na Previ temos enfrentado iniciativas para reduzir a participação do patrocinador, ou seja, de desresponsabilizar o banco em relação aos planos de seus empregados. Na Cassi, por exemplo, houve reforma estatutária recente que prejudicou os trabalhadores.Os empregados convocados no último concurso já não terão direito ao patrocínio do banco ao se aposentarem. Foram muitas lutas para conquistar e manter nossos benefícios na Cassi e Previ, e nenhuma veio como benesse do governo”, conclui Goretti.