Presidente do BNB indicado pelo “centrão” é demitido

04/06/2020 17:48

Acusado de envolvimento em fraudes no período em que esteve à frente da Casa da Moeda, Alexandre Cabral ficou pouco mais de 24 horas no cargo

Foto: reprodução Twitter

Suspeito de fraudes em licitações da Casa da Moeda, o recém-empossado presidente do Banco do Nordeste (BNB), Alexandre Cabral, foi exonerado nesta quarta-feira, 03. Cabral chegou ao cargo por indicação do chamado “centrão”, nova base de apoio ao governo Bolsonaro e que tem ganhado cargos em troca de apoio político ao presidente.

A destituição de Cabral foi uma decisão do Conselho de Administração do BNB após divulgação na imprensa de que o Tribunal de Contas da União (TCU) apura irregularidades em contratações na Casa da Moeda enquanto Cabral esteve à frente, entre 2016 e 2019, com prejuízo estimado em R$ 2,2 bilhões.

A indicação de um novo presidente do BNB ainda está nas mãos do PL, partido do “centrão” liderado por Valdemar da Costa Neto, condenado no mensalão. Essa velha política do “toma lá dá cá”, adotada escancaradamente por Bolsonaro, atinge em cheio o BNB e coloca em risco o papel do banco como importante fomentador do desenvolvimento social e econômico das regiões onde atua.

“É absurdo que o governo Bolsonaro use o BNB como moeda de troca para angariar apoio ao seu governo, se manter no poder e beneficiar apenas sua família e banqueiros. Estamos enfrentando um governo cuja política é de sucateamento dos bancos públicos. Essa prática é inadmissível, pois afeta diretamente o crescimento econômico do Brasil, além de ser um desrespeito aos bancários e bancárias que se dedicam à construção de um banco forte e rentável”, enfatiza a diretora do Sindibancários/ES Goretti Barone.

Com quase 68 anos de história, o BNB é essencial para o desenvolvimento econômico do país. Somente em 2019, investiu mais de R$ 42 bilhões nas regiões em que atua, dentre elas o norte e noroeste do Espírito Santo.

“No nosso estado, o BNB é um instrumento de incentivo aos pequenos e médios empresários e agricultores, ao facilitar, por exemplo, o acesso ao crédito. Por isso, nossa defesa é que a presidência do banco seja ocupada por bancário de carreira, técnico e com ficha limpa. Somente assim vamos garantir que a instituição continue comprometida com seu papel de banco público”, defende o diretor do Sindibancários/ES Iracélio Lomes.

Investigação

Apesar de negar ter cometido qualquer ilegalidade, Cabral é considerado pelos auditores do TCU como um dos principais responsáveis por supostas fraudes e direcionamento de licitações da Casa Moeda para as empresas Sicpa e Ceptis. Os contratos firmados com as empresas foram para a operação do Sistema de Controle de Bebidas (Sicobe) e do Sistema de Controle de Rastreamento da Produção de Cigarros (Scorpios) e os valores chegam a R$ 11 bilhões.

Com informações do jornal O Globo.