O Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos (Dieese) divulgou a Pesquisa do Emprego Bancário a partir dos dados de junho de 2022 a junho de 2023. Segundo o levantamento, a categoria bancária registrou o 9º resultado negativo consecutivo. As três piores marcas foram registradas no primeiro semestre deste ano, nos meses de março, maio e junho. No balanço desses 12 meses foram desligados 5.019 bancários e contratos somente 1.147. Apenas nos meses de agosto e setembro de 2022, o saldo de empregos na categoria foi positivo. Quase a metade do saldo positivo de 1.013 postos em agosto do ano passado veio dos 500 convocados pela Caixa, que chamou os trabalhadores aprovados no concurso de 2014.

Na avaliação do dirigente do Sindicato dos Bancários/ES Carlos Pereira de Araújo (Carlão), que também é membro do Comando Nacional dos Bancários, o balanço negativo confirma que a reestruturação dos bancos tem sido nefasta para os trabalhadores. “Esse processo de reestruturação, que se intensificou nos últimos anos, tem sido marcado pelo fechamento de postos de trabalho e agências. Os avanços tecnológicos, carro-chefe desse processo, têm sido modelados para aumentar ainda mais as margens de lucros dos bancos, que festejam recordes consecutivos nos últimos anos. As melhorias tecnológicas nunca são pensadas para favorecer o trabalhador. Ao contrário, as ferramentas tecnológicas são instrumentos cada vez mais eficazes de controle e cobrança, onde as metas, cada vez mais intangíveis, são as grandes responsáveis pelo adoecimento físico e mental da categoria”, adverte Carlão.
Áreas mais afetadas
A pesquisa faz um recorte para apontar quais áreas da categoria bancária foram mais afetadas pelos desligamentos. De acordo com a pesquisa, a área classificada como Bancária/Financeira registrou no primeiro semestre deste ano o maior corte: 3.385 postos de trabalho, seguida pela área Administrativa/Afins, com 1.329.
O levantamento também mapeia quais as ocupações/funções que registraram mais desligamentos. As funções de gerentes de contas, administrativo, de agência e de clientes especiais (Private) foram as mais afetadas. Só no primeiro semestre deste ano foram 3.072 desligamentos nessas quatro categorias de gerentes. Em seguida aparecem os escriturários (-542), assistente de vendas (-287), analista de negócios (-234), chefe de serviços bancários (-234), supervisor administrativo (-218) e assistente administrativo (-197).
Faixa etária e sexo
Sobre a distribuição da movimentação do emprego bancário no mês de junho de 2023, com recorte de gênero, o resultado negativo ocorreu de forma mais acentuada entre as mulheres, que representaram 45,9% das admissões e 50,4% dos desligamentos. Fora, admitidas 1.250 bancárias e desligadas 1.824. Saldo negativo de 574.
Quando se analisa as faixas etárias, o levantamento do Dieese aponta saldo positivo entre as faixas
até 29 anos, com ampliação de 502 vagas. Para as faixas etárias superiores a 30 anos, nota-se o movimento inverso, com fechamento de 1.401 vagas (quadro abaixo).

Salários em queda
A pesquisa do Dieese também comparou os salários dos admitidos e desligados. O salário mensal médio do bancário admitido em junho último foi de R$ 6.308,16. Já o salário do bancário que está sendo desligado foi de R$ 7.496,81. O salário médio do admitido correspondeu a 84,14% do desligado. “Existe um método dos bancos nesse processo de reestruturação com o único objetivo de aumentar as margens de lucro. Todas as mudanças são feitas com essa finalidade. O degrau salarial de 84% entre admitidos e desligados revela que os bancos estão promovendo uma precarização sem precedentes no setor”, afirma o integrante do Comando Nacional.
Para Carlão, é urgente que o presidente Lula ponha em ação sua promessa de campanha de revogar a reforma trabalhista de Temer, que se tornou ainda mais nefasta para a classe trabalhadora sob Bolsonaro. “É fundamental que o movimento sindical, as centrais e a categoria bancária se mobilizem para pressionar o governo e o Congresso Nacional pela revogação da reforma, que prejudica toda a classe trabalhadora. No caso da categoria bancária, esse processo de reestruturação imposto pelos bancos está precarizando as condições de trabalho e provocando o adoecimento em massa. Os dados da pesquisa do Dieese são inequívocos. O caminho para revertermos esse processo é a mobilização e a luta pela revogação imediata da reforma trabalhista”, reafirma o diretor do Sindibancários.

