Foi encerrada neste domingo, 06, em São Paulo, a 25ª edição da Conferência Nacional dos Bancários e das Bancárias. Durante os três dias de debates e plenárias, 636 delegados e delegadas, representando a categoria de todos os estados do país, destacaram a importância de organização dos comitês de luta e brigadas digitais para ampliar mobilização em defesa de uma reforma tributária com distribuição de renda, regulamentação das plataformas digitais, mais empregos, melhoria das condições de trabalho e saúde dos bancários e das bancárias, defesa dos bancos públicos e consolidação da democracia. A ausência sentida por muitos representantes da categoria foram os congressos específicos dos bancos públicos e privados, que foram simplesmente riscados da conferência deste ano. “Saímos da 25ª edição da conferência com uma sensação de vazio: nos tiraram os congressos”, criticou a coordenadora-geral do Sindicato dos Bancários/ES, Rita Lima.
A base do Espírito Santo foi representada por 10 delegados e delegadas. Rita Lima reconheceu o mérito da conferência em trazer especialistas para tratar de temas sensíveis e atuais à classe trabalhadora, como a reforma tributária, regulação das plataformas digitais e inteligência artificial, mas afirmou que a estrutura não favoreceu os debates. “Houve pouco espaço para manifestarmos nossas dúvidas e compartilharmos nossas opiniões. Faltou interatividade. É preciso repensar essa estrutura para garantirmos conferências mais participativas e dinâmicas. Afinal, a conferência é dos bancários e das bancárias. A organização não pode perder essa primícia de vista ”, salientou a dirigente.

Delegação capixaba (da esq./dir): Eliel, Carlão, Renata, Bethânia, Mônica, Igor, Rita, Sérgio, Marcelo e Iracélio)
Congressos
Rita Lima criticou a não realização dos congressos dos bancos públicos e privados. Ela lembrou que a Intersindical e a Central dos Trabalhadores e das Trabalhadoras do Brasil (CTB), juntamente com seus sindicatos associados, além de outras centrais, chegaram a apresentar recurso pedindo a reconsideração da decisão do Comando Nacional do Bancários que extinguiu a realização dos congressos específicos dos bancos públicos e os encontros dos bancos privados da conferência.
“É sem dúvida um imenso prejuízo para a categoria. Nos congressos, temos a oportunidade de aprofundar as discussões que vão mobilizar a categoria para o enfrentamento das questões que serão tratadas nas mesas permanentes e nos grupos de trabalho”. Rita Lima citou como exemplo o Saúde Caixa. “Esse é um dos temas centrais dos empregados da Caixa. Este ano, temos um aditivo sobre a renovação do Saúde Caixa. Esse seria um tema certamente presente nos debates do Conecef este ano. A força majoritária do Comando, infelizmente, sequestrou essa forma de organização tão importante e tradicional para a categoria. Não podemos deixar de destacar que os congressos específicos da Caixa e do Banco do Brasil são anteriores às conferências”, assinalou Rita Lima.
Carlos Pereira de Araújo (Carlão), dirigente do Sindibancários/ES e integrante do Comando Nacional, também lamentou a decisão da maioria dos seus pares contrária à realização dos congressos específicos. “É um retrocesso. Os congressos têm importância histórica na organização das lutas da categoria bancária. São fóruns essenciais para a formulação e construção de pautas específicas que serão negociadas pelas comissões de empresas junto ao Comando Nacional e, em seguida, levadas aos bancos”, destacou o dirigente.
Carlão ponderou, no entanto, que apesar dos congressos terem ficado fora da conferência, na Campanha Salarial do ano passado, que celebrou o acordo que vigora até 2024, os cinco maiores bancos (Caixa, BB, Itaú, Bradesco e Santander) se comprometeram a manter a discussão sobre o adoecimento da categoria. “O acordo firmado obriga os bancos a manterem na pauta os temas saúde e condições de trabalho. Essas discussões vão permear as mesas permanentes e os grupos de trabalho”, lembrou o dirigente.
Resoluções
Foram aprovadas seis resoluções para orientar a luta pela reforma tributária com tributação progressiva, que promova a distribuição de renda, onere os mais ricos e promova isenção maior para os mais pobres, tributação sobre os latifúndios e grandes fortunas e isenção da PLR, entre outros pontos.
Também foi aprovada resolução sobre a organização do ramo financeiro, com a continuidade de identificação de todos os trabalhadores nas regiões do país e suas entidades representativas e mobilização, para que a reforma sindical seja um instrumento formal para o reconhecimento da representação por ramo de atividade econômica.
Outra resolução foi pela regulamentação das plataformas digitais, para que haja a garantia da proteção dos direitos e privacidade dos usuários, com ambiente mais seguro contra abusos, assédio, discurso de ódio e outros conteúdos prejudiciais à vida em sociedade.
A quarta resolução, relacionada ao tema da Conferência e a tudo o que foi debatido nestes três dias, direciona a luta pela busca da “democracia sempre”, por um país democrático, socialmente justo e ambientalmente sustentável. Uma democracia sólida, que garanta direitos e liberdades individuais, assim como a participação ativa dos cidadãos na tomada de decisões. Uma democracia que adote políticas de conservação dos recursos naturais, com redução das emissões de gases que causam efeito estufa, promova o uso das energias renováveis, a preservação da biodiversidade e a promoção do desenvolvimento sustentável em todas as áreas e promova a transição para uma economia verde, com estímulo à pesquisa e desenvolvimento de tecnologias limpas e renováveis para gerar empregos e criar uma economia.
A quinta resolução foi pelo fortalecimento dos Comitês de Luta e das Brigadas Digitais da Classe Trabalhadora, para que o movimento sindical aumente sua participação e sua influência nas questões sociais, políticas e econômicas em debate na sociedade.
A sexta e última resolução é pelo fortalecimento da campanha “Menos metas, mais saúde”, pela luta contra a gestão e práticas de assédio moral em decorrência dos programas de resultados vinculados a metas abusivas praticadas pelos bancos, que causam adoecimento dos bancários no ambiente de trabalho.
Moções e propostas
Também foram aprovadas as propostas encaminhadas pelas conferências regionais como orientações para a ação do Comando Nacional e da categoria e nove moções em apoio as deputadas vítimas de violência política e assédio de gênero; de repúdio ao Banco do Amazonas (Basa) pela demissão em massa do Quadro de Apoio; em defesa da Caixa Econômica Federal; em repúdio ao genocídio da população negra e a violência seletiva da Polícia Militar; em repúdio ao “Agiliza” nas salas de autoatendimento da Caixa; em apoio à proposta de retorno do Vale-Cultura; em repúdio contra as ações e práticas antissidincais do banco Santander; em apoio à campanha “Por uma Caixa Sem Retrocessos e 100% Pública”; e pela isenção da mensalidade sindical no IR.

