O Sindicato dos Bancários/ES manifesta seu repúdio à demissão arbitrária do funcionário do Banco do Brasil em função de seus comentários na rede interna da instituição. A demissão por justa causa, consumada no último dia 22, surpreendeu as entidades sindicais e os bancários do BB, por se tratar de uma punição extrema como represália às críticas que o funcionário fez à instituição no canal de comentários dos conteúdos internos produzidos pela Agência de Notícias (AGN).
Esta ação truculenta do banco, enfatiza a dirigente do Sindibancários/ES Bethania Emerick, não é um caso isolado, mas faz parte de uma onda de censura que se estabeleceu nos espaços de opinião no ambiente corporativo do banco, especialmente após a última campanha salarial.
A União Nacional dos Caixas do BB (UnaCaiexBB) publicou uma nota reivindicando a reversão da demissão e criticando a medida desproporcional do BB. “Observamos apagamento em massa de comentários na Agência de Notícias (AGN) e de tópicos no Fórum BB, além da interdição das comunidades do “Viva Engage”. A situação se agrava com as ligações telefônicas da presidenta da instituição para colegas que teceram críticas e o envio de e-mails institucionais com a instauração de processos disciplinares”.
O funcionário demitido foi incorporado pelo BB na ocasião da aquisição da Nossa Caixa (banco paulista estatal) e apresentou críticas nos fóruns internos da empresa, destacando a falta de isonomia entre funcionários, insatisfações com os resultados da negociação coletiva e incoerências no tratamento dispensado aos funcionários. As críticas do bancário também abordavam a condução do BB na moderação de conteúdos postados por funcionários em suas redes internas, sem esclarecimentos precisos sobre quais itens do Código de Ética e dos normativos estavam sendo violados.
Segundo a UnaCaiex, no processo disciplinar instaurado contra o funcionário, apesar de seus pedidos de detalhamento das supostas violações, o Banco do Brasil apresentou uma carta de demissão em curto espaço de tempo, cerceando seu direito de defesa. “A medida extrema da demissão é ainda mais preocupante pelo adoecimento ocupacional psíquico do colega, reconhecido pelo INSS através de um Comunicado de Acidente de Trabalho”, diz a nota da UnaCaiex.
O bancário demitido vem recebendo suporte do Sindicato dos Bancários de Uberaba, que trabalha para a reversão da demissão. “Esperamos que sua demissão seja revertida para que possa continuar empregado, com as devidas reparações, e para que não prevaleça a difusão do medo que a notícia de sua demissão causou entre os funcionários”, completa a nota da União dos Caixas.
O Sindibancários/ES se soma à manifestação de solidariedade ao bancário demitido que, aos poucos, vem mobilizando outras entidades sindicais e funcionários do BB. “Censura lembra os anos de chumbo. O BB na condição de banco público com vocação social não pode adotar um instrumento da ditadura para punir um funcionário que fez uma crítica mais contundente à instituição. A partir do momento que o banco publica conteúdos que admitem comentários dos funcionários, tem de estar preparada para conviver com o contraditório de forma democrática, com transparência e respeito aos normativos do banco e à legislação vigente”, finaliza Bethania.









