Sindicato notifica Banestes por determinar retorno de grupos de risco

23/09/2020 19:19

A assessoria jurídica do Sindicato dos bancários informou que, independentemente da notificação, também irá ingressar com ação na Justiça do Trabalho contra a decisão do banco

O Banestes decidiu que a partir da próxima segunda-feira, 28, todos os empregados do banco afastados das atividades presenciais por estarem incluídos no chamado grupo de risco deverão retornar ao trabalho em suas agências. O Sindicato dos Bancários/ES, por meio de sua assessoria jurídica, notificou o Banestes nesta quarta-feira, 23, questionando a decisão do banco.

Na notificação, o Sindicato alerta a direção do Banestes que, “ao determinar o retorno das atividades presenciais dos trabalhadores do grupo de risco, em contrariedade com os critérios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS), fica ciente de sua possível responsabilização cível e criminal pelos danos causados aos funcionários e suas famílias”.

Segundo o advogado André Moreira, da assessoria jurídica do Sindicato, com a notificação a presidência do Banestes passa a ter ciência das consequências que podem surgir com o retorno dos trabalhadores do grupo de risco para atividade presencial nas agências bancárias a partir da próxima segunda-feira, 28. “A presidência do Banestes não poderá fugir da sua responsabilidade, uma vez que está sendo alertada e assumindo os riscos de alta contaminação que a atividade presencial poderá causar para este grupo de empregados”, assinalou Moreira.

O coordenador-geral do Sindicato, Jonas Freire, acrescentou que as curvas da doença no Espírito Santo apontam que os novos casos e os óbitos continuam em patamares altos, o que representa risco para este grupo de trabalhadores. “Na notificação, alertamos sobre os comparativos entre os dias 7 e 21 de setembro (veja quadro abaixo). Com base nesse ciclo de sete dias, fica evidente que o Estado ainda não tem uma tendência de queda consolidada. Ao contrário, o número de casos novos está em ascensão. Ainda não há medicação para a covid e tampouco vacina. Ou seja, não há condições seguras para o banco promover a volta dos grupos de risco ao trabalho presencial”, enfatizou Jonas.
O advogado André Moreira afirmou que, independentemente da notificação feita ao Banestes, o Sindicato está ingressando com uma ação na Justiça do Trabalho contra a decisão do banco por determinar o retorno ao trabalho presencial dos empregados que integram hoje o grupo de risco.