O Banco do Nordeste (BNB) bateu novo recorde em 2021 ao atingir R$ 41,9 bilhões em contratações globais. O valor foi diluído em 5 milhões de operações, que financiaram linhas de crédito nos nove estados do Nordeste e nas regiões Norte do Espírito Santo e de Minas Gerais. Desde que se tornaram a principal base aliada do governo Bolsonaro no Congresso, lideranças do Centrão vêm disputando com unhas e dentes o controle do maior banco de desenvolvimento regional da América Latina.

No início deste ano, os bastidores no BNB se agitaram novamente com a notícia de que José Gomes da Costa, nomeado há menos de um mês para a Diretoria Financeira do banco, assumirá nos próximos dias a presidência da instituição. O economista é indicação do presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, partido pelo qual Jair Bolsonaro disputará a reeleição.

Antes mesmo de Bolsonaro se filiar à sigla, Valdemar da Costa Neto já dava as cartas no BNB. Foi o presidente do PL que pediu a cabeça do então presidente Romildo Rolim. Costa Neto se disse indignado com o fato do Instituto Nordeste de Cidadania (Inec) – ONG responsável pela gestão da área de microcrédito (Crediamigo) há 18 anos – estar todo esse tempo à frente da mediação dessa linha de crédito.

Nomeado por Temer em 2017, Rolim não resistiu à pressão do PL e deixou o comando do banco em setembro de 2021. No seu lugar assumiu Alexandre Cabral. Também indicado por Costa Neto, Cabral não chegou a esquentar a cadeira. Um dia após tomar posse, saiu pelas portas do fundo quando veio à tona a notícia de que o recém-empossado estava sendo investigado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por irregularidades cometidas em 2018, quando esteve à frente da Casa da Moeda.

Como Cabral fora do baralho, Anderson Possa foi alçado interinamente ao comando do BNB em setembro do ano passado. Mas, se depender de Costa Neto, seus dias estão contados.

Para o diretor do Sindicato dos Bancários/ES Iracélio Lomes, o BNB está sendo flagrantemente aparelhado pelo Centrão. “Sabemos da importância do BNB para a população capixaba no Norte do Espírito Santo, Minas e Região Nordeste. É um banco estratégico para o desenvolvimento dessas regiões que está sendo usado como moeda de troca por Bolsonaro para comprar o apoio dos partidos do Centrão”.

Iracélio afirma que as lideranças do Centrão que disputam o controle do BNB não pensam na instituição ou tampouco têm qualquer compromisso com o papel social do banco, que é fomentar o desenvolvimento nessas regiões econômica e socialmente mais vulneráveis. “O único interesse desses políticos oportunistas é eleitoreiro. Querem apenas converter os recursos humanos e materiais do banco em votos”, adverte Iracélio.

Pedro Guimarães de olho no BNB

Enquanto o Conselho do BNB não bate o martelo e confirma a indicação de Costa Neto, comenta-se nos bastidores que Bolsonaro estaria estudando transformar o banco em subsidiária da Caixa. O BNB passaria a ser comandado por um de seus aliados de primeira hora, Pedro Guimarães, presidente da Caixa. A notícia foi publicada nessa quarta-feira, 5, por Guilherme Amado, no Metrópoles. Segundo o jornalista, caso o plano siga adiante, o governo enviará uma medida provisória ao Congresso Nacional com as mudanças.

“Qualquer um dos cenários é nocivo para o BNB. De um lado, há políticos do Centrão que afiam as garras para rapinar a instituição; de outro, o presidente da Caixa, que virou queridinho de Bolsonaro, também estaria disposto a usar o banco como palanque político de Bolsonaro e de seus aliados de ocasião. É fundamental que os funcionários e as funcionárias do BNB resistam ao aparelhamento do banco. É preciso também que os segmentos do Espírito Santo, Minas e Nordeste, que são beneficiados pelas linhas de crédito do banco, se mobilizem para impedir o uso político-eleitoreiro da instituição”, sublinha o dirigente.