A comissão de negociação do Sindicato dos Bancários/ES e os representantes do Banestes se reuniram virtualmente nesta terça-feira, 11, para discutir a minuta específica dos banestianos. Na reunião que abriu a rodada de negociações entre os empregados e o banco, teletrabalho, emprego, condições de trabalho e privatizações foram os eixos mais destacados. De forma protocolar, os representantes do Banestes ouviram os pontos de pauta, mas não se posicionaram sobre as reivindicações apresentadas pela comissão de negociação do Sindicato. Prometeram apenas analisar as propostas e dar uma devolutiva posteriormente. Nesta quinta-feira, 13, há uma nova reunião agendada.

“Nesta próxima rodada, a expectativa é de que o banco já se manifeste sobre os temas discutidos hoje [11]. Foram levados à mesa eixos importantes da nossa pauta específica que devem ser retomados ao longo das negociações”, afirmou o coordenador geral do Sindicato, Jonas Freire. Ele citou como exemplo o tema emprego, que está diretamente relacionado às terceirizações.

Segundo o dirigente, esse é um tema que preocupa os banestianos porque a terceirização já está em curso no banco. No final de 2019, em um pregão tumultuado e contestado pelas próprias empresas que participaram do certame, o Banestes terceirizou à empresa Atos Brasil a área de serviços de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). “Essa é uma área sensível, que lida com informações estratégicas do banco, e mesmo assim o Banestes decidiu terceirizá-la. A direção do Banestes abriu um precedente que ameaça outras áreas do banco”.

Jonas disse que a comissão relembrou na mesa de negociações que durante a campanha eleitoral, o governador Renato Casagrande assinou um termo em defesa do Banestes público e estadual e assumiu o compromisso de, além de não privatizar o banco, não terceirizar atividades.

O dirigente afirma que a terceirização significa novas demissões. De acordo com Jonas, o parágrafo segundo da cláusula sobre terceirização da minuta entregue ao Banestes prevê que os setores já terceirizados sejam reassumidos pelo banco. O fim da terceirização, segundo ele, implica em novas contratações, via concurso, para essas áreas que o banco já entregou a terceiros, como, por exemplo, a de tecnologia.

A comissão alegou aos representantes do banco que a terceirização, além gerar demissões em meio a uma crise sanitária e econômica sem precedentes, significa a precarização do trabalho. “A terceirização representa salários mais baixos e a contratação de uma mão de obra menos qualificada. As empresas terceirizadas pagam cada vez menos para ganhar mais em cima do trabalhador. Essa precarização acaba trazendo impactos na qualidade dos serviços oferecidos pelo Banestes. O cliente do banco também sai perdendo”, apontou Jonas.

Teletrabalho

Um dos temas centrais da conferência nacional, o teletrabalho também entrou na pauta específica do Banestes. Sobre o tema, os representantes do banco foram reticentes, sinalizando que preferem aguardar os desdobramentos da discussão nacionalmente. “Ressaltamos que não queremos atrelar a discussão do home office às tratativas que estão em andamento com a Fenaban. É por isso que o eixo home office entrou na nossa pauta específica. Queremos tratar dos impactos do teletrabalho para os bancários e as bancárias do Banestes”, sublinhou Jonas.

Falta de transparência

O processo seletivo interno foi outro ponto tratado na mesa desta terça. O coordenador geral do Sindibancários disse que a comissão cobrou mais transparência do banco. A comissão apontou que o Banestes vem desrespeitando o Acordo Coletivo vigente. “No final de 2019, o banco designou 9 empregados para a função de gerente de superintendência de rede, burlando o ACT”.

Ele explicou que o Banestes não realizou o processo seletivo interno, como prevê a Cláusula 19ª do Acordo que trata sobre “Seleção Interna”. O Parágrafo 2º, segundo Jonas, determina que somente as funções de confiança de superintendente, gerente geral de agência, consultor, economista chefe, gerente geral, coordenador, secretário executivo e assessor dispensam o processo seletivo.

“De maneira geral, falta transparência nesses processos seletivos internos. O banco tem abusado de critérios subjetivos nessas seleções. Isso, além de ser um desrespeito, desmotiva o empregado das suas pretensões de traçar o plano de carreira na empresa”.

Na expectativa das próximas rodadas, Jonas enfatiza que é muito importante que os empregados do Banestes se engajem nas discussões, acompanhando o andamento das negociações. Financeiramente, assinalou Jonas, o Banestes atravessa uma fase excelente. “Nesta terça, enquanto estávamos na mesa de negociações lutando para garantir e ampliar nossos direitos, o banco festejava lucro de R$ 125 milhões no primeiro semestre deste ano, 14,4% superior ao apurado no mesmo período de 2019. Isso em plena pandemia. Nunca é demais lembrar ao banco que são os empregados que constroem esses resultados positivos. O momento de negociação é a hora de o banco reconhecer todo esse esforço dos bancários e das bancárias do Banestes e atender nossas reivindicações”, afirmou o dirigente.