Trabalhadores de diversas categorias, integrantes das pastorais sociais e movimentos do campo e da cidade se juntaram na manhã desta quinta-feira, 01, para celebrar o dia do trabalhador e da trabalhadora resgatando suas bandeiras de luta. O ato aconteceu no bairro Marcílio de Noronha, em Viana, e contou com atividades políticas e culturais.
“O primeiro de maio teve origem com a luta da classe trabalhadora pela redução da jornada laboral e por condições mais dignas de trabalho. Ao longo dos anos, essa data passou a ter um significado mais amplo, de libertação do povo em relação ao modelo político e econômico opressor em que vivemos, onde a riqueza é construída pelo povo, mas é apropriada por poucos. O primeiro de maio é um dia de luta contra todas as formas de opressão ao nosso povo”, diz Carlos Pereira de Araújo (Carlão), coordenador geral do Sindicato dos Bancários/ES.
Bandeiras de luta
A marcha foi dividida em alas que levaram para as ruas o debate sobre a precarização do trabalho, juventude, saúde e violência. O diretor do Sindibancários/ES, Idelmar Casagrande, destacou alguns dos desafios recentes da classe trabalhadora.
“Atualmente, uma das principais lutas dos trabalhadores é o arquivamento do Projeto de Lei 4330, que propõe a liberação da terceirização no país. A aprovação desse projeto no Congresso Federal acarretará na perda de direitos para todas as categorias, por isso essa deve ser uma bandeira de todos, inclusive da juventude e dos estudantes que ainda não ingressaram no mercado de trabalho”, destacou Idelmar, que integra a direção nacional da Intersindical ̶ Central da Classe Trabalhadora.
Os manifestantes denunciaram também o extermínio da juventude negra e a violência contra as mulheres no Espírito Santo. Cinquenta e três por cento das vítimas de homicídio no Brasil são jovens entre 15 e 24 anos, a maioria negros. Além disso, o Estado lidera o ranking nacional de assassinatos de mulheres, com uma taxa de 9,6 homicídios femininos a cada grupo de 100 mil habitantes.
Resgate da cultura e da organização popular
Há vários anos, sindicatos, pastorais e movimentos se reúnem em bairros populares para realizar a “Marcha Pela Vida e Pela Cidadania”, que já está na 15ª edição. Em 2014, a atividade envolveu também grupos culturais e manifestações populares. Ao final da marcha, os participantes se concentraram na praça da igreja matriz de Marcílio de Noronha, onde aconteceram apresentações de grupos de teatro e bandas de congo.
“Não podemos cair na armadilha de fazer desse dia um momento apenas de comemoração e lazer, como fazem as grandes centrais sindicais. É um dia de refletir os problemas da classe trabalhadora, pensar seus desafios e resgatar a cultura e a organização popular, por isso esse formato” explica José Roberto Gomes, diretor do Sindipúblicos/ES.
“O Sindicato e as organizações dos trabalhadores precisam estar juntos com o povo, e Marcílio de Norinha é um bairro com uma grande concentração de trabalhadores. Estamos ocupando esse espaço para denunciar também o descaso do poder público com as comunidades populares, a falta de investimento em saúde, educação, segurança, etc”, complementa Maristela Corrêa, diretora do Sindicato dos Bancários/ES.

