Trabalhadores protestam contra as altas taxas de juros

20/07/2023 19:01

A mobilização foi convocada por centrais sindicais, partidos de esquerda e movimentos sociais, e aconteceu na Praça da Glória, em Vila Velha

Bancários e bancárias participaram na tarde desta quinta-feira, 20, de ato público em defesa de juros mais baixos no Brasil. A mobilização foi convocada por centrais sindicais, partidos de esquerda e movimentos sociais, e aconteceu na Praça da Glória, em Vila Velha.

Os manifestantes criticaram a atuação do Banco Central (Bacen) por contrariar a política econômica do governo federal e sustentar a taxa Selic, referência para as outras taxas de juros do mercado, em 13,75% — a mais alta taxa de juros do mundo. Os trabalhadores também pediram o fim da autonomia do Banco Central e a saída do presidente da instituição, Roberto Campos Neto.

O diretor do Sindibancários/ES Fabrício Coelho lembrou que a atual taxa de juros só favorece aos rentistas. “Os altos juros interessam a banqueiros e rentistas, aqueles que se beneficiam do pagamento da dívida pública brasileira, que consome metade do PIB nacional todos os anos”.

Para o diretor Carlos Pereira de Araújo (Carlão), Roberto Campos Neto, que assumiu a presidência do Bacen por indicação do ex-presidente Jair Bolsonaro, implementa uma gestão de sabotagem à política macroeconômica do governo Lula. “O povo brasileiro elegeu um novo governo, que tenta atuar no sentido de gerar emprego, fazer a economia girar e melhorar a vida de quem produz e trabalha. Com as taxas de juros nas alturas, no entanto, isso fica inviável. Campos Neto está sabotando a soberania do povo brasileiro”, pontuou.

“Hoje o Banco Central funciona como sindicato dos bancos, para atender aos interesses dos banqueiros. O Bacen não tem que ter autonomia, tem que estar sob o controle do povo e contribuir para uma política de redução dos juros, do endividamento popular e de redução da exploração da classe trabalhadora”, concluiu Carlão.

Veja quem ganha e quem perde com os juros abusivos no Brasil

QUEM PERDE:

Endividados pagam a conta

Está cada dia mais difícil pagar as contas. As taxas de juros no cartão de crédito chegam a 411% ao ano e no cheque especial a 150% ou mais.

Aumento do desemprego

Os juros altos são combustíveis para a especulação financeira. Ou seja, quem tem dinheiro prefere fazer aplicações no mercado financeiro e lucrar com os altos juros a investir em novos negócios.

Cai o consumo, trava a economia

Sem renda os trabalhadores param de consumir. Com isso, as indústrias produzem menos, as empresas fecham e o comércio não vende. A tal da “roda da economia” para de girar e a crise econômica tende a se aprofundar.

Trabalhadores empregados também sofrem

Com a economia travada, fica ainda mais difícil para os trabalhadores conquistarem reajuste salarial.

Juros altos, políticas sociais em baixa

Quanto mais alta a taxa Selic maior será a dívida pública. Para pagar os credores da dívida, o governo corta recursos para as políticas sociais essenciais para a população. A previsão do Tesouro Nacional é que a dívida pública chegue ao final de 2023 entre R$ 6,4 trilhões e R$ 6,8 trilhões.

QUEM GANHA COM AS ALTAS TAXAS?

Com certeza não são os trabalhadores assalariados e aposentados. As altas taxas de juros beneficiam somente os banqueiros, que cobram altas taxas dos clientes, e os milionários que investem na bolsa de valores. O ciclo de quem tem mais dinheiro ganha mais gira velozmente sob a política monetária de altas taxas de juros.