A XVIII Marcha Contra o Extermínio da Juventude Negra reuniu jovens, trabalhadores e representantes de entidades sindicais e sociais nesta quinta-feira (20) no Dia Nacional da Consciência Negra. Neste ano, os manifestantes foram às ruas denunciar os altos números de feminicídio que seguem sendo mascarados no Espírito Santo. A concentração do ato aconteceu na praça do bairro Itararé, em Vitória, e a caminhada seguiu até a Ufes, onde foram realizadas diversas atividades culturais.

De janeiro ao dia 21 de novembro deste ano, foram 31 mulheres vítimas de feminicídio, 68 de homicídios dolosos e 73 vítimas de tentativa de feminicídio. Entre as vítimas, 71% eram mulheres negras (pretas e pardas) nos casos de feminicídio, 67% nos crimes de homicídios dolosos e 65% nos casos de tentativa de feminicídio. Os dados são do Painel de Monitoramento da Violência Contra a Mulher da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Espírito Santo.

Dirigentes do Sindibancários/ES marcaram presença no ato e fizeram ecoar a voz contra o racismo que segrega e mata negras e negros todos os dias. “Este é um dia de luta contra todas as formas de violência e opressões que vitimizam negros e negras todos os dias em nosso país. Neste ano, de forma especial, chamamos a atenção as mulheres negras que são a maioria das vítimas dos crimes de violência contra as mulheres. Essa luta é de todos nós”, enfatiza o dirigente do Sindibancários/ES Sérgio Moura.

Anastácia

A Marcha Contra o Extermínio da Juventude Negra é organizada pelo Fórum Estadual de Juventude Negra do Espírito Santo (FEJUNES). Neste ano, a arte do ato destacou Anastácia, uma mulher negra escravizada que se tornou símbolo de resistência e foi brutalmente violentada com uma máscara de ferro, instrumento usado para tentar calar sua voz e negar sua humanidade.

“O grito que emerge na quebra dessas máscaras e mazelas impostas pelo racismo, pelo machismo e pelo sexismo revela a mulher negra de hoje: herdeira do legado de Anastácia, que usa sua voz como arma, denúncia e afirmação de vida diante das múltiplas opressões que atravessam nossos corpos e existências. Grita por justiça, por memória e por vida.” (Fejunes)