Bancários capixabas e do estado do Rio de Janeiro se reuniram no último sábado, 08, na 25ª Conferência Interestadual da categoria bancária e aprovaram as propostas que serão levadas para a etapa nacional de debate. O evento foi organizado pela Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro dos Estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo (Fetraf RJ/ES) e foi realizado em Macaé.
Dentre as principais propostas discutidas e aprovadas estão o fim das metas, melhores condições de trabalho, respeito à saúde dos trabalhadores, defesa do emprego e mais contratações. Essas devem ser as prioridades da categoria bancária nas mesas de negociação específicas dos bancos e Grupos de Trabalho (GT’s) neste ano, uma vez que a Convenção Coletiva de Trabalho e os acordos específicos vigentes são válidos até 01 de setembro de 2024.
Com participação expressiva de bancárias nas delegações, a 25ª Conferência Interestadual também foi espaço de debate sobre as condições de trabalho e a saúde dos trabalhadores bancários. Psicólogo e professor da Universidade Católica de Petrópolis (UCP), Rui Carlos Stockinger falou sobre a Síndrome de Burnout, assédio moral e suas implicações na saúde na qualidade de vida dos bancários. Stockinger também é coordenador do setor de Saúde do Trabalhador da Prefeitura de Petrópolis.
“Foi uma conferência com debates aprofundados sobre questões latentes na categoria, como saúde e a reestruturação do sistema financeiro. Não temos campanha salarial deste ano, mas precisamos discutir com os bancos o adoecimento dos bancários, a sobrecarga de trabalho, as demissões, entre outros problemas. Tivemos uma participação expressiva dos bancários e das bancárias dos sete sindicatos que compõem a nossa base e vamos defender nossas propostas na Conferência Nacional”, destacou o secretário geral da Fetraf-RJ/ES e diretor do Sindibancários/ES, Claudio Merçon (Cacau),
A 25ª Conferência Interestadual também contou com a participação do técnico do Dieese Paulo Jäger (Dieese – RJ), que fez uma análise da conjuntura nacional, e com a mesa de debate sobre papel do Sistema Financeiro Nacional e do Crédito para geração de emprego e renda, com palestra de Cátia Uehara, também técnica do Dieese
“O adoecimento da categoria bancária é gritante e todas as pesquisas já realizadas sobre o tema apontam para a mesma direção: é preciso dar um basta às metas e às formas de gestão opressora nos bancos. Vamos para a Conferência Nacional defendendo que o respeito à vida dos bancários e o fim das metas sejam as reivindicações prioritárias nas negociações com os bancos neste ano”, enfatizou a coordenadora geral do Sindibancários/ES, Rita Lima, eleita como delegada para o debate nacional.
Conferência Nacional
A Conferência Nacional dos Bancários e das Bancárias acontece nos dias 04, 05 e 06 de agosto, em São Paulo. Na delegação eleita para representar a Fetraf RJ/ES no evento estão os bancários capixabas Eliel dos Anjos, Iracélio Lomes, Igor Bongiovani, Rita de Cássia Lima, Mônica Cristina Pais, Marcelo Giacomin, Renata Resende, Bethania Franco e Hudson Bretas.
Moções
Foram aprovadas duas moções de apoio na 25ª Conferência Interestadual dos Bancários e das Bancárias: uma em apoio às deputadas federais vítimas de perseguição no congresso nacional; outra em apoio à Presidenta da Caixa, Maria Rita Serrano.
Confira as resoluções aprovadas
Moção de Apoio à Presidenta da Caixa, Maria Rita Serrano
As trabalhadoras e trabalhadores bancários reunidos na 25ª Conferência Interestadual dos Bancários e das Bancárias, organizada pela Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro dos Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo (Fetraf RJ/ES), que representa os Sindicatos dos Bancários de Angra dos Reis e Região, Baixada Fluminense, Espírito Santo, Itaperuna e Região, Macaé e Região, Nova Friburgo e Região e Três Rios e Região apresentam moção de apoio à Presidenta da Caixa Econômica Federal, Maria Rita Serrano, contra o movimento, já exposto pela imprensa nacional e articulado pelo “centrão”, que busca sua demissão após apenas seis meses de gestão.
Rita Serrano foi escolhida pelo Presidente Lula por seu histórico comprometimento com a Caixa e com o movimento dos empregados, e tem entre seus compromissos o combate ao assédio moral e sexual e a defesa do caráter 100% público do
banco.
Rita é empregada da Caixa desde 1989, foi eleita representante dos empregados no Conselho de Administração em 2014 e depois reeleita, com mais de 90% dos votos.
A Caixa, suas trabalhadoras e seus trabalhadores viveram recentemente uma gestão de terror, com gravíssimos episódios de assédio moral e sexual, amplamente divulgados pela imprensa, que tiveram como protagonista o então presidente da instituição, Pedro Guimarães.
No momento em que a Caixa busca se recuperar, sob a liderança da Rita, destes terríveis e inaceitáveis episódios, sua demissão, para nomeação de um presidente indicado pelo centrão, sem qualquer compromisso com o combate aos assédios moral e sexual institucionalizados pela gestão anterior, irá expor o banco e o povo brasileiro a risco inaceitável.
A Caixa deve ser protegida para que possa trabalhar cada vez mais como banco social e do povo, pela habitação popular, saneamento básico, combate a fome, desenvolvimento social. Por isso, apresentamos esta moção de apoio a Maria Rita Serrano e repudiamos o movimento oportunista e carguista que busca derrubá-la da presidência da Caixa, em contraposição aos interesses da categoria, da instituição e do povo brasileiro.
Moção de apoio às deputadas federais vítimas de perseguição
As trabalhadoras e trabalhadores bancários reunidos na 25ª Conferência Interestadual dos Bancários e das Bancárias, organizada pela Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro dos Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo (Fetraf RJ/ES), que representa os Sindicatos dos Bancários de Angra dos Reis e Região, Baixada Fluminense, Espírito Santo, Itaperuna e Região, Macaé e Região, Nova Friburgo e Região e Três Rios e Região, apresentam moção de apoio às Deputadas Federais Sâmia Bomfim (Psol-SP), Célia Xakriabá (Psol-MG), Talíria Petrone (Psol-RJ), Fernanda Melchionna (Psol-RS), Érika Kokay (PT-DF) e Juliana Cardoso (PT-SP), que vem sofrendo tentativas de cassação de seus mandatos.
Não é de agora que a extrema direita persegue parlamentares feministas e de esquerda na Câmara dos Deputados.
Devemos combater a violência política de gênero.
E é dever das entidades sindicais, assim como dos movimentos sociais e demais entidades de luta se posicionarem e lutarem contra mais essa arbitrariedade no congresso nacional.

