Entre janeiro e outubro deste ano, os bancos fecharam 6.379 postos de trabalho no Brasil. O levantamento foi feito pelo Dieese com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados – CAGED do Ministério do Trabalho. A perda de emprego foi maior nos estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Distrito Federal.
No período, foram registradas 29.610 admissões e 35.989 desligamentos. Esse saldo negativo, segundo o Dieese, é resultado, principalmente, dos programas de desligamento voluntários abertos pelos bancos. “Na verdade, PDV é fechamento de posto de trabalho, demissão em massa, porque não há reposição da força de trabalho. O bancário que sai não é substituído, e quem fica na agência está adoecendo, sofrendo pressão e assédio moral”, afirma o diretor do Sindicato, Carlos Pereira de Araújo (Carlão).
E esse processo de perda de postos de trabalho no setor vem se intensificando ano a ano. Desde 2013, segundo dados do Dieese, os bancos já acumulam saldo negativo de 66.985 mil postos.
Maior lucro, menos emprego
A análise do Dieese por setor de atividade econômica revela que os “bancos múltiplos com carteira comercial”, categoria que engloba bancos como Itaú Unibanco, Bradesco, Santander e Banco do Brasil, foi responsável pelo fechamento de 6.684 postos no período de janeiro a outubro.
A abertura dos postos bancários concentrou-se nas faixas entre 18 e 29 anos. Acima de 30 anos, todas as faixas apresentaram saldo negativo, com destaque para a faixa de 50 a 64 anos. “No momento em que mudam as regras da Previdência obrigando o trabalhador a permanecer mais tempo no mercado de trabalho, os bancos fecham os postos de trabalho para os bancários mais velhos. É o estrangulamento da classe trabalhadora”, afirma Carlão.
Outro dado levantado confirma a manutenção da desigualdade de gênero na remuneração. As 13.575 mulheres admitidas nos bancos entre janeiro e outubro de 2019 receberam, em média, R$ 3.926,70. Esse valor corresponde a 75,9% da remuneração média auferida pelos 16.035 homens contratados no período, afirma o relatório do Dieese. Outra constatação foi a diferença de remuneração entre homens e mulheres também nos desligamentos: as 17.572 mulheres desligadas dos bancos recebiam, em média, R$ 5.997,95, o que representou 73,3% da remuneração média dos 18.417 homens desligados dos bancos no período.






