
Com máscaras de proteção e respeitando o distanciamento entre si, bancários protestaram contra demissões e cobrança de metas. Fotos: Sérgio Cardoso
Bancários e bancárias do Santander fazem nesta terça-feira, 16, um Dia Nacional de Luta contra as arbitrariedades do banco. O foco do protesto são as demissões realizadas pela direção do Santander no início de junho, que já atingiram ao menos 15 empregados em São Paulo e um no Espírito Santo. O aumento da cobrança de metas durante a pandemia também é alvo de denúncia. Em todo o país acontecem ações de virtuais e presenciais para questionar a forma como o banco tem tratado os empregados brasileiros.
Em Vitória, um grupo de trabalhadores se reúne em frente à agência Reta da Penha, sede da Superintendência do Santander no Espírito Santo, com cartazes e faixas em defesa do emprego e da vida. Usando a hashtag #SantanderRespeiteOBrasil, eles afirmam que o banco espanhol foi o primeiro a demitir durante a pandemia no Brasil, ignorando o compromisso assumido com o movimento sindical de manutenção do emprego ao longo da crise sanitária.
“O Santander ignora que estamos em meio a uma pandemia que já matou mais de 44 mil pessoas no Brasil e colocou muitos trabalhadores em situação de vulnerabilidade. Promover demissões nesse contexto, além de desumano, é um desrespeito com a sociedade”, afirma o diretor do Sindicato Jonathas Corrêa.
Informação divulgada pela Folha de São Paulo no último dia 09 estimou que o processo de desligamento iniciado na última semana pode atingir até 20% do quadro de empregados do banco, segundo fontes ouvidas pelo jornal. O banco negou a intenção de demitir em massa, mas não esclareceu os desligamentos realizados em junho.
Os bancários contrapõem o discurso de crise econômica usado genericamente como justificativa para as demissões. “O lucro do banco atingiu R$ 3,8 bilhões no primeiro trimestre do ano, um crescimento de 10,5% em comparação a 2019. No mesmo período, a rentabilidade do banco foi de 22,3%. O lucro obtido no Brasil representou 29% do lucro global do Santander e, mesmo assim, somos o único país em que o banco está promovendo demissões, em meio à maior crise de saúde de nosso tempo”, critica o bancário Cláudio Merçon (Cacau), diretor da FETRAF RJ-ES e membro da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander.
“O trabalhador brasileiro do Santander é desprestigiado. Somos os únicos a pagar tarifa bancária, por exemplo. O resultado do banco no Brasil é um dos maiores na composição do lucro global, e é construído com o esforço dos empregados, mas também com muito sofrimento, na base do assédio moral, do aumento da cobrança de metas, do adoecimento da categoria. Por isso cobramos respeito aos empregados brasileiros. Temos uma extensa pauta de reivindicações represada, que inclui banco de horas negativo, manutenção do emprego e da rede de agências, e queremos que o Santander sente conosco para negociar”, completa Cacau.
Além de promover demissões, o Santander aumentou a cobrança de metas durante a pandemia, mesmo com a atividade bancária restrita aos serviços essenciais. Segundo denúncia de empregados, os gestores chegam a monitorar resultados várias vezes ao dia, aumentando a pressão para venda de produtos.

#SantanderRespeiteOBrasil é palavra de ordem que deve ser fortalecida com ações nas redes ao longo do dia
Ação nas redes
Ao meio dia de hoje acontecerá uma ação unificada nas redes sociais para subir a hashtag #SantanderRespeiteOBrasil. Para o twitter, você pode utilizar as sugestões de texto abaixo. Vamos fortalecer a voz dos empregados do Santander neste dia de luta.
O banco @santander_br prometeu que não demitiria funcionários durante a pandemia causada pelo novo coronavírus. Banco descumpriu essa promessa. #SantanderRespeiteOBrasil
Possível demissão em massa em meio à pandemia de Covid-19 causa desespero entre funcionários do @santander_br. #SantanderRespeiteOBrasil
Em meio à maior crise de saúde do nosso tempo, o banco @santander_br demite trabalhadores ignorando seu próprio compromisso de garantir o emprego dos bancários. #SantanderRespeiteOBrasil
O que o @santander_br está fazendo é uma desumanidade, um desrespeito não apenas com os trabalhadores, mas com a sociedade. #SantanderRespeiteOBrasil
Em plena pandemia, funcionários do @santander_br denunciam cobranças de metas abusivas, que aumentam semanalmente, e pressão por parte de gestores. #SantanderRespeiteOBrasil
Ei, @santander_br o “período mais crítico da epidemia da Covid-19” ainda não passou. Cumpra sua promessa! Não demita. #SantanderRespeiteOBrasil
O @Estadao divulgou: Vice-presidente de RH do @santander_br disse “em 23 de março anunciamos nosso compromisso público de não demitir funcionários durante o período crítico da pandemia.” E agora? #SantanderRespeiteOBrasil
Não tem porque demitir. O @santander_br lucrou R$ 3,85 bilhões nos três primeiros meses de 2020, crescimento de 10,5% na comparação com 2019 e de 3,4% com o 4º trimestre. A rentabilidade do banco no Brasil atingiu 22,3%. #SantanderRespeiteOBrasil
Crise para os bancos? O Governo Federal brasileiro liberou aos bancos mais de R$ 1 trilhão, o que desmente a justificativa do @Santander_br em demitir por conta de ajuste econômico gerado pela crise. #SantanderRespeiteOBrasil
Em março, o Santander se comprometeu publicamente em mesa de negociação com o movimento sindical em suspender as demissões que poderiam estar em andamento e a não demitir enquanto a pandemia perdurar no país. O que mudou @Santander_br? #SantanderRespeiteOBrasil
O desrespeito do @Santander_br não é somente com o trabalhador, mas toda a sociedade brasileira. As práticas antissindicais do banco se tornaram frequentes e o desrespeito só aumenta. Você trabalharia em um banco que pode te demitir durante uma pandemia? #SantanderRespeiteOBrasil
O @Santander_br justificou as demissões durante a pandemia declarando que a “meritocracia é um dos grandes valores da instituição”. Em média, a diretoria executiva do banco recebeu 9,4 mi em 2019, será que eles têm o mesmo tratamento dos trabalhadores? #SantanderRespeiteOBrasil
O @Santander_br opera como concessão pública no Brasil, país do qual retira a maior parcela do seu lucro mundial. E deve oferecer contrapartidas, como tarifas e taxas não extorsivas e não contribuir para a já elevada taxa de desemprego no país.#SantanderRespeiteOBrasil










