Itaú prorroga home office até janeiro

13/08/2020 20:01

O presidente do banco, no entanto, não declarou nada sobre garantir condições de trabalho para quem continuar nesta modalidade

O Itaú anunciou nesta quarta-feira, 12, a extensão do home office até o final de janeiro de 2021. A medida é resultado da reivindicação dos bancários e bancárias pelo trabalho remoto como opção mais viável para manter o isolamento social durante a pandemia da covid-19. Apesar de ser uma boa notícia, os empregados devem ficar atentos à garantia de direitos.

O anúncio de que a volta ao trabalho presencial ocorrerá somente após o fim de janeiro de 2021 foi feito pelo presidente do Itaú, Cândido Brache, que também destacou que o banco dará prioridade para o trabalho remoto. O diretor do Sindibancários/ES, Carlos Pereira de Araújo, faz um alerta sobre essa concessão do Itaú.

“A declaração do presidente do Itaú dialoga, por um lado, com a pauta dos trabalhadores, que traz o home office como uma medida estratégica na prevenção de contaminação por coronavírus. No entanto, sabemos que a centralidade do banco é o lucro e o Itaú está aproveitando o momento para aprofundar a experiência de atendimento digital, um projeto que quer implantar largamente há algum tempo. É importante que o home office seja uma opção para o bancário, e não uma imposição do banco”, frisa Carlão.

A extensão do home office também deveria vir acompanhada de uma série de medidas para garantir condições de trabalho adequadas para os trabalhadores que atuam nessa modalidade.  “Os bancários vão permanecer nessa modalidade em que condições? É preciso garantir mobiliário adequado e ter ainda um valor adicional pago aos bancários para que arquem com os custos a mais com água, energia, internet que passaram a ter. Além disso, precisamos discutir melhores condições de trabalho para as mulheres, já que muitas nessa modalidade passaram a enfrentar uma sobrecarga ainda maior com o acúmulo do trabalho doméstico e cuidados com filhos”, alerta Carlão.

O Itaú também anunciou a reabertura de 108 agências para reduzir a concentração de pessoas naquelas que permaneceram funcionando desde o início da pandemia.

Fechamento de agências

Mesmo com lucro de R$ 3,4 bilhões no segundo trimestre deste ano e reserva de R$ 7,6 bilhões, o Itaú anunciou que fechará mais 23 agências. E apesar de ter sinalizado que não haverá demissões, já que os empregados dessas unidades serão realocados, o banco ainda não se comprometeu com a cláusula de manutenção dos empregos até o final da próxima convenção.

“As negociações da Campanha Nacional já iniciaram e o Itaú, que é o maior banco privado do país, ainda não sinalizou que irá aceitar essa reivindicação da categoria. Além disso, o fechamento de agências provoca o aumento do desemprego estrutural, pois trabalhadores de outras categorias que atuam nas agências serão demitidos, como os vigilantes. Os clientes também são prejudicados com a redução do atendimento. Esperamos que o banco avance na negociação da cláusula em defesa do emprego bancário ”, destaca Carlão.