Para os bancários e bancárias da Caixa, trabalhar durante a pandemia teve um desafio a mais. Com a concentração do pagamento do auxílio emergencial na Caixa, os empregados tiveram que enfrentar uma alta demanda de atendimento, quando a principal medida de prevenção à covid-19 era, e ainda é, o distanciamento social. Com a escassez de empregados, o atendimento a milhões de brasileiros beneficiados pelo auxilio ficou ainda mais complicado.
Em todo o Brasil, garantir o funcionamento das agências e o atendimento aos milhares de beneficiados pelo auxílio emergencial chegou a custar a vida de empregados e até de familiares de empregados da Caixa que acabaram contaminados pela covid-19 e não resistiram. No ES, foram 123 empregados contaminados na Caixa, entre bancários e terceirizados. Mas o número pode ser ainda maior já que nem todos os casos são notificados ao Sindicato.

Longas filas se formaram nas portas das agências e o desrespeito a distanciamento social colocou em risco também a vida de clientes. Do lado de dentro, bancários e bancárias trabalharam exaustivamente. Além de pagar o auxílio, sofriam a pressão para o cumprimento de vendas de produtos e serviços. A escassez de empregados, gritante nos últimos anos, levou ao extremo a exploração dos bancários da Caixa, que chegaram a ser obrigados a trabalhar aos sábados. O Sindibancários/ES tentou via ação na Justiça impedir a abertura das agências aos sábados, mas teve o pedido negado.
Bancário da Caixa há dez anos, Carlos Antônio Silva atua na agência de Terra Vermelha, em Vila Velha. Ele relata como está sendo a pandemia em uma agência com apenas 10 empregados e que atende praticamente um quarto de toda a população de Vila Velha.
“Chegamos a abrir agência com apenas quatro bancários atendendo, foi um caos. Tivemos colegas com covid-19 e outros com suspeita. Chegava em casa todo dia entre 19h e 20horas. O respeito à jornada de seis horas ficou esquecido. Quando pedimos à Superintendência mais empregados, eles alegaram que nossa agência não tinha meta de autenticação. A Caixa não nos deu apoio logístico. Teve uma semana em que se não fosse nossa pressão e a do Sindicato a agência estaria aberta mesmo após a confirmação de um caso de covid na agência. Mesmo com todo esse sofrimento, ainda conseguimos dar o melhor de nós, pois entendemos que precisamos atender a população”, contou Silva.
Com as agências lotadas, bancários do grupo de risco ou com familiares nessa mesma situação sentem na pele a pressão para voltar ao trabalho presencial. Ao mesmo tempo, ainda vivenciam a pesada rotina do home office, em que o horário de expediente é regulado pela alta demanda de trabalho, já que o banco não ofereceu ainda nenhuma possiblidade de registro de ponto.
Uma bancária que preferiu não se identificar contou um pouco como são seus dias após o trabalho invadir seu espaço privado. “Teve pressão para voltar para agência, porque onde atuo é uma das agências em que mais teve casos de covid-19, muitos colegas já se aposentaram e o quadro de empregados está sobrecarregado. Estou em home office por questões de saúde e por coabitar com pessoas do grupo de risco. Em home office o acúmulo de trabalho é consideravelmente maior. Tem ainda uma questão relacionada à infraestrutura, o computador trava, a internet durante o dia cai, e com tudo isso o trabalho atrasa. Mas a outra ponta quer o resultado. O fato de ser mulher e mãe torna isso ainda mais pesado. Tenho que dar conta da casa, da comida e ainda tem o trabalho”, compartilhou a bancária.
Para a diretora do Sindibancários/ES, Rita Lima, os bancários e bancárias da Caixa mostraram o compromisso que têm com a execução do papel público do banco, mesmo enfrentando uma gestão opressora.
“Nesta pandemia, a Caixa mostrou o importante papel que tem para a sociedade brasileira e porque deve continuar 100% pública. Isso só foi possível porque tem um corpo de empregados capacitado, competente tecnicamente e comprometido com a gestão responsável do banco. No entanto, os bancários foram sacrificados, enfrentaram o desrespeito dessa gestão irresponsável sob a liderança do governo Bolsonaro. Além de sobrecarregados, têm que lidar com a pressão por metas, ameaças de descomissionamentos e as tentativas de sucateamento do banco para privatizá-lo. Vamos continuar resistindo a essa gestão perversa e entreguista, defendendo os direitos dos empregados e a Caixa 100% pública”, enfatiza a diretora do Sindibancários/ES, Rita Lima.









