Em reunião no último dia 19 com o gerente regional do Bradesco, Ricardo Andre Kuczynski, o Sindicato dos Bancários/ES reivindicou mais rigor nos protocolos sanitários e a suspensão imediata das visitas presenciais a clientes. A garantia do rodízio (presencial/home office) também foi um dos pontos de pauta, especialmente em relação aos funcionários que exercem a função de caixa, que acabam preteridos do rodízio.

O diretor do Sindicato Fabrício Coelho diz que o gerente regional considerou as demandas procedentes e prometeu encaminhar os pedidos que estivessem dentro da sua alçada. Segundo o dirigente, o regional se mostrou sensível às reivindicações. “Nem poderia ser diferente, atravessamos o mais grave momento da pandemia. Ontem [23] atingimos a marca recorde de 72 mortes em 24 horas. Nunca havíamos passado de 60 óbitos na fase mais aguda da primeira onda. O agravamento das infecções nos preocupa. Sabemos que os bancários trabalham num ambiente hermético, sem ventilação natural e com grande circulação de pessoas. A estrutura ‘caixote’ das agências beneficia o contágio, tornando os bancários mais vulneráveis ao vírus”, adverte.

Protocolos sanitários

O Sindicato exige que os protocolos sanitários, como o uso de máscaras, álcool gel e higienização das agências sejam cumpridos com mais rigor. “É importante que os gestores ajudem a fazer essa cobrança pela obediência aos protocolos dos clientes e dos próprios funcionários. É preciso conscientizá-los que, enquanto não temos a vacina, o uso contínuo e correto da máscara é nosso principal mecanismo de defesa para não contrair o vírus. O banco deve fazer essas orientações sobre cumprimento dos protocolos diariamente”, enfatiza Fabrício.

Rodízio

De acordo com o dirigente, os caixas estão sendo excluídos dos rodízios de home office. Ele explica que os caixas acabam sendo deslocados para prestar orientação aos clientes na área de autoatendimento. Muitas vezes, o caixa “roda” as agências fazendo esse trabalho de triagem e orientação e nunca é contemplado pelo rodízio.

“Solicitamos ao regional que o caixa assuma preferencialmente sua função e que seja contemplado no rodízio. Quando não houver demanda no caixa, nossa sugestão é para que eles auxiliem os gerentes administrativos, que estão sobrecarregados no dia a dia. Essa solução desafogaria os gerentes e tiraria os caixas do autoatendimento, que é uma área de grande exposição ao vírus”. Fabrício afirma que Ricardo Kuczynski se comprometeu a colocar os caixas no rodízio do home office, assim como os gerentes administrativos.

O gerente regional garantiu que no Estado o Bradesco não está impondo a “autenticação zero”, embora reconheça que o número de autenticações venha caindo. Ainda sobre o atendimento nos caixas, o dirigente sindical pediu que haja tratamento igualitário aos clientes que demandam serviços de caixa. “Explicamos que, muitas vezes, o atendimento nos caixas fica restrito a clientes com saldos com mais casas decimais. Os de contas ‘magrinhas’, mesmo quando necessitam do serviço de caixa, acabam sendo dissuadidos a buscar o atendimento fora do banco”. O regional, conta Fabrício, julgou a demanda pertinente e prometeu discutir internamente a questão”.

Morte é alerta

Sobre a importância de observação mais rigorosa dos protocolos nessa fase gravíssima da pandemia no Espírito Santo, o dirigente sindical lembrou com pesar da morte de um colega do Bradesco. “Perdemos um colega bastante jovem para a covid recentemente. Isso nos deixa muito sensibilizados e ao mesmo tempo ainda mais preocupados e apreensivos. Estamos vendo todos os dias dezenas de pessoas perdendo a guerra contra a covid. Uma pessoa morre a cada 20 minutos no Estado. Com o sistema de saúde colapsado de norte a sul do Espírito Santo, não podemos correr o risco de contrair o vírus. Porque, a partir de agora, ninguém tem mais garantia de que terá acesso a uma vaga de UTI para ao menos poder lutar pela vida”.

O dirigente chama a atenção para o fato de o colega falecido fazer parte do grupo de risco e mesmo assim trabalhando presencialmente. “Sabemos que era uma iniciativa dele se manter em trabalho presencial, mesmo tendo comorbidade, mas apelamos ao Bradesco que seja mais pró-ativo em insistir que os funcionários do grupo de risco trabalhem em home office, ainda que a demanda não parta do bancário. As metas financeiras não podem ser prioritárias, mas sim a saúde e a vida dos funcionários”.

Fabrício acrescenta ainda que cabe ao funcionário fazer o papel de fiscal, observar se os protocolos estão sendo cumpridos e denunciar ao Sindicato eventuais irregularidades. “É importante denunciar o descumprimento dos protocolos assim como possível assédio por parte dos gestores para a execução de atividades que gerem risco mais elevado de contaminação, como as visitas presenciais, por exemplo, que o regional garantiu que estariam suspensas e se optaria pelas plataformas digitais para evitar o contato presencial com o cliente”.

Além de Fabrício, os diretores Ricardo Rios e Sandra Alzira também participaram da reunião com o gerente regional do Bradesco.