Exatamente uma semana após o início da quarentena, o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, anunciou na tarde desta quinta-feira, 25, medidas mais restritivas para tentar conter as taxas de transmissão da covid e reduzir a pressão sobre o sistema de saúde que está colapsando em todo o Estado. A quarentena mais dura, que não chega a ser um lockdown, paralisa o sistema público de transporte na Grande Vitória (Transcol), a circulação de ônibus municipais e intermunicipais e fecha rodoviárias. Bancos, casas lotéricas, oficinas mecânicas e outras comércios que estavam liberados para funcionar, passam a ser classificados como não essenciais. As medidas mais restritivas passam a valer neste domingo, 28, e encerram no dia 4 de abril.

O diretor do Sindibancários/ES Carlos Pereira de Araújo (Carlão) avalia que as medidas mais restritivas do Governo do Estado chegam tardiamente. Na avaliação do dirigente, o governador Renato Casagrande deveria ter adotado medidas mais restritivas duas ou três semanas atrás, quando as taxas de ocupação do sistema de saúde capixaba já eram ascendentes e colapso em outros estados já começa a se desenhar.

“Mais sensato seria, ante a gravidade da situação e o colapso iminente do sistema de saúde, que o governador decretasse o lockdown estadual de uma vez. Mas ele prefere ir arrochando as restrições à medida que o sistema vai colapsando. Ele disse que está sempre um passo à frente da doença. Na minha opinião, ele está sempre um passo ou dois atrás”, critica Carlão.

Segundo Carlão, as medidas adotadas na atual quarentena são equivocadas ao classificar serviços não essenciais como essenciais, como nos casos das agências bancárias, que foram liberadas para funcionar sem qualquer restrição. “Agora, pressionado pelas estatísticas de novos casos, óbitos e taxa de ocupação dos leitos de UTI que não param de subir, o governador é obrigado a rever as medidas para evitar o colapso generalizado do sistema e consequentemente do aumento de mortes”, analisa Carlão.

Quarentena relâmpago

A quarentena inicial, mais branda, que começou a vigorar na última quinta-feira, 18, se encerrará neste sábado, 27, totalizando 10 dias. A versão mais rígida, que se inicia no domingo, 28, vai vigorar por apenas uma semana, se encerrando no dia 4 de abril.

“De todos os exemplos que temos visto de países ou mesmo de cidades brasileiras, como Araraquara, no interior de São Paulo, que adotaram o lockdown, notamos que essas medidas mais restritivas se estendem por pelo menos por 14 dias, em alguns lugares chegam a 21 dias ou são ainda mais longas quando a situação exige. Essa versão mais dura da quarentena anunciada por Casagrande, prevista para vigorar apenas por 7 dias, olhando para outras experiências, me parece insuficiente para conter a transmissão do vírus e aliviar a pressão sobre o sistema de saúde. Creio que o governador, mais próximo ao término da quarentena, terá que estendê-la por mais alguns dias ou endurecê-la ainda mais”.

Para o dirigente, essa primeira fase mais permissiva com 10 dias de duração foi praticamente inócua para conter a transmissão. “O que estamos vendo nos últimos dias é o aumento de casos novos, recordes de óbitos e o sistema de saúde colapsando. Só ontem, três municípios [Barra de São Francisco, Água Doce do Norte e São Gabriel da Palha] decretaram lockdown geral por causa do colapso do sistema. Não há vagas nem de enfermaria covid tampouco de UTI nas regiões Norte e Noroeste do Estado. Os dados denunciam que essa primeira fase não funcionou, embora o governador avalie que houve algum avanço. A posição do Sindicato continua sendo a decretação imediata do lockdown como única medida neste momento capaz de evitar o colapso geral e evitar mais mortes”.
(Foto capa: Secom)