De 19 a 28 de abril bancários e bancárias do Banco do Brasil devem participar da votação do Relatório Anual da Cassi. O Sindicato dos Bancários/ES orienta o voto pela não aprovação do relatório. O Sindicato destaca o valor abusivo da coparticipação e a retirada da lista de medicamentos de uso contínuo como alguns pontos que justificam a desaprovação do relatório.

A diretora do Sindicato Goretti Barone afirma que a diretoria e conselho deliberativo da Cassi estão tratando a empresa como se fosse uma operadora qualquer de plano de saúde do mercado. “Não podemos compartilhar desse visão que pensa a saúde como mercadoria e persegue lucro no final do exercício como sinônimo de gestão eficiente. A Cassi é um plano de autogestão que não foi concebida para apurar lucro. Queremos uma gestão que priorize a saúde dos trabalhadores e dependentes e garanta a sustentabilidade da empresa”, enfatiza Goretti.

Coparticipação

A diretoria e conselho deliberativo da Cassi aprovaram no início de 2019, sem a anuência dos associados, um aumento na coparticipação em consultas e exames em percentuais. Esse aumento tem inviabilizado a permanência no plano sobretudo dos funcionários com salários mais baixos.

“As contas da Cassi já estão equilibradas e a empresa já deveria ter reduzido o percentual de coparticipação, retornando aos patamares anteriores a 2019. Do contrário, essa lógica mercantilista de gestão acabará inviabilizando o plano para os funcionários financeiramente mais vulneráveis e também àqueles que têm doenças cronicas ou alguma comorbidade e necessitam mais do plano e dos medicamentos da LIMACA”, adverte.

Lista de medicamentos

Outro ponto criticado pela dirigente se refere à redução dos medicamentos de uso contínuo. Goretti afirma que esses remédios geralmente têm alto custo e precisam voltar urgentemente para a lista. “Mexeram num direito adquirido. É inaceitável o corte de mais de 1.800 medicamentos da Limaca. Não se faz economia com a saúde das pessoas”.

Balanço 2020

A diretoria da Cassi comemorou o resultado positivo de 2020, mas não disse como o santo “operou o milagre”, quis transmitir aos associados que o superávit foi resultado das “inovações na gestão”. Na verdade, explica Goretti, os números revelam que os resultados vieram do aporte extra de R$ 1 bilhão do patrocinador (BB), aumento das contribuições mensais dos associados e a cobrança por dependentes. Pesou também no resultado superavitário, segundo a dirigente, a redução da demanda pelos serviços de saúde em função da pandemia. “Muitas consultas, exames, cirurgias eletivas e outros procedimentos ficaram represadas em 2020. Essa queda na demanda teve efeito nos resultados financeiros”.

Esse represamento da demanda é confirmado pelos números. Em 2020, houve redução de 39% nas internações hospitalares, 21% nos procedimentos cirúrgicos, 32% nas consultas presenciais e 14,5% nos exames ambulatoriais. No Plano Associados, a arrecadação aumentou de R$ 2,99 bilhões para R$ 3,26 bilhões. Somente em coparticipação o Plano Associados arrecadou R$ 167 milhões e R$ 691 milhões em contribuições por dependentes. De outro lado, apesar do aumento da inflação médica, as despesas se mantiveram estabilizadas em R$ 2,37 bilhões.

Não ao desmonte da Cassi

Para a dirigente, dizer não ao relatório e dar um basta ao desmonte da Cassi. Goretti sustenta que o plano de autogestão não tem inadimplência e baixíssima rotatividade, variáveis que mantêm o equilíbrio financeiro da empresa. Ela explica que a atual gestão construiu um cenário caótico para justificar a alteração estatutária.

“A alteração do Estatuto, além de alterar o princípio da solidariedade, que é uma condição inalienável para nós, teve o propósito de desonerar o patrocinador para repassar o custo do plano para os associados e pensionistas. A diretoria apresentou o balanço 2020 enaltecendo o superávit como se esse fosse o propósito da Cassi. Parecia uma empresa de mercado festejando os resultados com os acionistas. Por isso o nosso voto é não em repúdio a essa gestão que quer acabar com a Cassi que construímos e queremos manter como plano de autogestão que priorize a saúde dos associados e dependentes”, ressalta Goretti.