A Câmara dos Deputados concluiu nesta quinta-feira, 17, a votação do Projeto de Lei 1011/20, que estabelece prioridade para novos grupos dentro do plano de vacinação contra a covid-19. O texto principal foi aprovado em março, mas a análise dos destaques estava pendente. A proposta ainda vai passar pelo Senado. 

O novo texto aprovado inclui a categoria bancária entre os grupos prioritários do Plano Nacional de Imunização (PNI). Além dos bancários, as empregadas domésticas e os motoristas de aplicativos também foram incluídos. 

“Essa era uma demanda das bancárias e dos bancários desde o surgimento das vacinas e da definição das categorias consideradas prioritárias por desenvolverem atividades essenciais e estarem mais vulneráveis ao vírus da covid. Embora os bancários estejam durante toda a pandemia frente a frente com vírus, sobretudo os da Caixa que têm a missão de pagar o auxílio emergencial para milhares de brasileiros, a categoria vinha sendo preterida”, afirma a coordenadora-geral do Sindicato dos Bancários/ES, Rita Lima. 

A dirigente acrescenta que a inclusão dos bancários, ainda que tardia, é muito bem-vinda. “Nestes primeiros meses de 2021 tivemos um aumento assustador de novos casos de covid na categoria em todo o país e consequentemente do número de óbitos. Ficamos aliviados, mas nossa luta continua. No ato Fora Bolsonaro/Mourão deste sábado, 19, a vacina para todos e todas é uma das nossas reivindicações”, destaca. 

Mobilização

 Na última sexta-feira, 11, a coordenação do Comando Nacional dos Bancários entregou ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, ofício com a solicitação de inclusão da categoria bancária no Plano Nacional de Imunização (PNI) contra a covid-19. 

Junto com o ofício entregue ao ministro Queiroga, foram encaminhados dados e informações complementares sobre a urgência da vacinação dos trabalhadores bancários. Sem ventilação natural e por serem ambientes fechados, as agências bancárias são um vetor de alto risco para os empregados e para as milhares de pessoas que são atendidas. 

Espírito Santo

No Espírito Santo, o Sindibancários/ES também vem pressionando o governador Renato Casagrande acerca do pedido feito oficialmente de inclusão dos bancários no calendário estadual de vacinação.

“Casagrande prometeu que iria analisar nossa solicitação. No entanto, até o momento sequer respondeu ao nosso pleito”. Rita Lima diz que o governador tem autonomia para incluir os trabalhadores dos serviços essenciais no calendário de vacinação e em praticamente todos os decretos publicados durante a pandemia os bancos foram considerados serviços essenciais e houve a manutenção do atendimento. 

“Os bancários estão na linha de frente desde o início da pandemia e é urgente que tenham suas vidas preservadas. A aprovação na Câmara e a iminente ratificação do PL pelo Senado é uma ótima notícia para os bancários e as bancárias do Espírito Santo, que não precisarão mais esperar a boa vontade do Governo do Estado”, afirma Rita Lima.

A coordenadora destaca ainda que muitos estados e municípios brasileiros já iniciaram a imunização da categoria bancária. “É visível o aumento da concentração de pessoas nas agências, principalmente durante o período do pagamento do auxílio emergencial. Temos ainda os pensionistas e aposentados que precisam de apoio para utilizar os serviços bancários. 

Mais mortes na categoria

Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com base nos dados do novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), aponta que os desligamentos por morte cresceram 71,6% entre trabalhadores e trabalhadoras celetistas do país no comparativo entre os primeiros trimestres de 2020 e 2021.

Quando o recorte é feito na categoria bancária, o crescimento é ainda maior: 176%. No Espírito Santo, o aumento de mortes entre os celetistas, no geral, foi de 61,8%. Inferior aos 66,6%, percentual de crescimento entre os bancários capixabas.

No estudo, o Dieese destaca que as mortes no Brasil entre trabalhadores celetistas saltaram de 13,2 mil no primeiro trimestre de 2020, para 22,6 mil, no comparativo com o mesmo período de 2021 (tabela abaixo). Nas atividades de atenção à saúde humana, o aumento foi de 75,9%, saindo de 498 para 876. Entre enfermeiros e médicos, o incremento chegou a 116% e 204%, respectivamente.

 

(Foto capa/divulgação: Governo do Estado de SP)