O tão aguardado concurso do Banco do Brasil tem inscrições abertas até 28 de julho próximo. Segundo o edital, serão abertas ao todo 4.480 vagas –  2.240 serão para início imediato e outra metade formará um cadastro de reserva válido por um ano e renovável por igual período. Das 2.240 contratações, 2 mil vagas são destindas a escriturários para a área comercial, que atuarão na rede de agências de todo o país; outras 240 para a área de tecnologia, especificamente para Brasília.

“Com mais de 14 milhões de brasileiros desempregados, toda notícia de abertura de postos de trabalho é muito bem-vinda. No caso do concurso do BB, essa era uma reivindicação recorrente das centrais e entidades sindicais de todo o país. O último concurso do BB foi em 2018 e abriu apenas 60 vagas: 30 para contratação imediata e outras 30 para cadastro de reserva”, recorda a diretora do Sindicato dos Bancários/ES Goretti Barone.

A dirigente pondera que as 2.240 vagas são importantes, mas ainda estão muito aquém da real necessidade do banco para minimamente equilibrar as perdas dos últimos anos. “Mesmo com o concurso promovendo essas novas contratações, essas reposições representam pouco mais de 28% dos 7.900 funcionários desligados somente de julho de 2019 para cá”.

O dado atualizado até o primeiro trimestre deste ano contabiliza que o BB tem 87.876 funcionários. Goretti diz que nos últimos cinco anos o banco desligou quase 18 mil trabalhadores. “Quando fazemos o recorte num intervalo de tempo maior, percebemos que essa conta entre contrações versus demissões não fecha. No balanço de cinco anos podemos dizer que o BB demitiu cerca de 18 mil e está contratando pouco mais de 2.300. Essa defasagem que vai crescendo ano a ano, se reflete em sobrecarga de trabalho, metas abusivas e adoecimentos”, assinala.

Concurso público

Em um país com desemprego e fome, cuja pandemia da Covid-19 já matou mais de meio milhão de pessoas, a perspectiva de conquistar um emprego público é o sonho de muitos brasileiros.

O cargo de escriturário prevê remuneração inicial de R$ 3.022,37, para jornada de 30 horas semanais. O funcionário também terá direito a vale refeição no valor de R$ 831,16 e vale alimentação de R$ 654,87. Há ainda a participação nos lucros ou resultados (PLR); vale-transporte; auxílio-creche; auxílio a filho com deficiência e previdência complementar. Os funcionários do BB possuem ainda acesso à Universidade Corporativa Banco do Brasil (UniBB).

Plano de saúde

Nessa luta em defesa dos direitos, a batalha do movimento sindical para manter o plano de saúde (Cassi) solidário e que não represente perdas para os funcionários tem sido um capítulo à parte. A CGPAR-23 (2018) e a Reforma Estatutária (2019), segundo a dirigente, representaram dois duros golpes no modelo de autogestão da Cassi e na imposição de um plano com características comerciais.

A CGPAR 23, afirma a dirigente, foi derrotada. A Justiça Federal, em outubro do ano passado, proferiu sentença favorável à Anabb, que pedia a impugnação da GPAR 23. A decisão judicial entendeu que a Resolução criava obrigações sem ser lei, o que é vedado pela Constituição Federal. De acordo com a decisão, a CGPAR 23 “suprime direitos dos funcionários beneficiários de assistência à saúde, inclusive no que se refere, aparentemente, aos aposentados, indo além, em princípio, do que lhe permite a respectiva legislação de criação [ Decreto nº 6.021/2007]”.

A atual gestão da Cassi, no entanto, diz Goretti, com a Reforma Estatutária que passou a vigorar em dezembro de 2019, vem fazendo mudanças que estão descaracterizando a Cassi como um plano de autogestão. Ela cita como exemplo o fato de os novos funcionários ficarem sujeitos à aprovação do patrocinador para serem admitidos no plano.

“Antes do novo Estatuto, o ingresso no plano era compulsório. Mas o que mais preocupa é o fato dos novos funcionários não terem mais direito ao subsídio do plano após a aposentadoria, ou seja, o patrocinador não arcará mais com a metade do valor do plano do associado aposentado (incluído os dependentes). “Além da perda do benefício no momento da vida em que a pessoa mais necessita da assistência à saúde, essa mudança pode provocar a queda na arrecadação e comprometer a sustentabilidade do plano”, aponta a dirigente.