(Atualizada 01/07/21, às 9h30) Nesta quarta-feira (30) partidos políticos, centrais sindicais e movimentos sociais entregaram à Mesa Diretora da Câmara dos Deputados o chamado superpedido de impeachment. A conotação superlativa se justifica porque o documento concentra os outros 122 pedidos protocolados desde 2019.
SÍNTESE DA PEÇA DE SUPER PEDIDO DE IMPEACHMENT
O pedido de número 123 traz duas novidades em relação aos anteriores. É o primeiro a incluir o crime de prevaricação, a partir da denúncia revelada no Senado, na CPI da Pandemia, contra o presidente Bolsonaro, que fora alertado sobre indícios de corrupção na compra da vacina Covaxin, mas não teria tomado nenhuma providência. Esse é também o primeiro pedido de impeachment assinado por movimentos sociais após a realização de atos contra o governo, nos dias 29 de maio e 19 de junho. O superpedido embala o próximo ato pelo “Fora Bolsonaro e Mourão”, marcado para este sábado, 3.
23 crimes
Além do crime de prevaricação no caso da Covaxin, denunciado pelo servidor de carreira do Ministério da Saúde, Luís Ricardo Miranda, na CPI da Pandemia, Bolsonaro é acusado de 22 crimes de responsabilidade. Entre essas quase duas dúzias de crimes estão atentar contra o livre exercício dos Poderes, ameaçar o Supremo e o Congresso; incitar militares à desobediência, apoiar atos públicos que pedem a intervenção militar; e violar direitos previstos na Constituição, com impactos na saúde pública.
“Bolsonaro genocida”
O secretário-geral da Intersindical Central da Classe Trabalhadora, Edson Índio, esteve na Câmara dos Deputados para protocolar o documento ao lado de outras lideranças políticas, sindicais e sociais. Índio discursou durante a coletiva de entrega do impeachment. O dirigente disse que Bolsonaro é responsável por 80% das 516 mil vítimas da Covid. “O povo brasileiro precisa interromper imediatamente o mandato deste genocida. Bolsonaro comete crimes de responsabilidade contra a democracia, contra a saúde pública, contra o povo brasileiro. Ele também é um prevaricador que no mínimo acoberta a corrupção”, afirmou se referindo às denúncias de corrupção no Ministério da Saúde reveledas nos últimos dias (asssita abaixo ao vídeo com a fala de Edson Índio).
O superpedido é assinado pela Intersindical e mais de 700 entidades. Ainda em seu discurso, Índio deu um recado para o presidente da Câmara dos Deputados. “Artur Lira, paute o impeachment de Bolsonaro”. E completou: “No dia 3 o Brasil vai ferver para botar abaixo este genocida prevaricador acobertado pelo centrão”, finalizou.
Volta às ruas
A coordenadora-geral do Sindicato dos Bancários/ES, Rita Lima, avalia que o superpedido de impeachment reflete a temperatura das ruas, que vem subindo dia após dia. “A volta às ruas para pedir o Fora Bolsonaro e Mourão era inadiável diante das mais de 500 mil vidas que foram abreviadas por essa política genocida do presidente Bolsonaro. Não bastasse a política negacionista, a imposição de um tratamento sem eficácia e a recusa em comprar vacinas, a CPI está revelando que por trás do negacionismo havia um grande esquema de corrupção instalado no Ministério da Saúde. Essas denúncias de corrupção se tornam ainda mais graves porque acontecem em meio à mais grave crise sanitária dos últimos 100 anos. São recursos do SUS que estão sendo roubados e que tiraram as vidas de milhares de pessoas”, desabafa a dirigente.
Rita Lima diz ainda que as mobilizações nas ruas, nos atos do próximo dia 3 e no dia 24 de julho, e as investigações da CPI vão ganhando força e tenacidade para pressionar o presidente da Câmara a submeter à votação o superpedido de impeachment. “É muito importante tomarmos todos os cuidados sanitários e irmos para as ruas. Em nome do Sindicato, faço um apelo para que a categoria bancária esteja conosco nas ruas no próximo sábado, a partir das 14 horas, na Ufes. Já deixo aqui também o convite para o ato do dia 24 de julho. É na rua que nós vamos derrubar Bolsonaro e Mourão”.

