O debate sobre a Banescaixa preencheu os temas específicos discutidos no Congresso dos Bancários e das Bancárias do Banestes, no último sábado, 31. O plano de saúde dos banestianos deve voltar à mesa de negociação como uma das prioridades da Campanha 2021. Desde 2019 há um Grupo de Trabalho (GT) com a função de negociar uma proposta de custeio mais sustentável para a Banescaixa, mas as tratativas estão emperradas. 

O bancário Júlio César Gomes, que representa os funcionários no Conselho Administrativo da Banescaixa, apresentou dados de balanço do plano para subsidiar a discussão. Segundo ele, a Banescaixa, que vinha apresentando déficits sucessivos, alcançou bons resultados no último ano, com lucro operacional na ordem de R$ 7 milhões. O saldo, no entanto, foi influenciado por fatores muito específicos, como a redução de consultas eletivas provocadas pela pandemia. Em condições diferentes, o indicativo é de que o resultado não se sustente.  

“As receitas operacionais evoluíram, pois o reajuste da categoria se refletiu em novos repasses. O resultado também foi impactado por uma redução das despesas. Com as restrições sanitárias, as consultas eletivas, que compõem a maior parte das despesas, ficaram reprimidas. Muita gente adiou ou deixou de usar o plano nesse período. No total, a redução de despesas ficou na ordem de R$ 3,5 milhões”, explicou Júlio. 

Efeito “mola”

A economia foi classificada como atípica pelo conselheiro, que alerta para o risco de que a demanda represada do período gere uma busca intensa pelo plano no pós-pandemia. “Nossa preocupação é que aconteça um efeito de ‘mola’. Essa mola está comprimida, mas em breve deve se soltar e poderemos ver um avanço rápido das despesas”, pondera. 

Júlio também lembrou que a redução no uso da Banescaixa nesse período fez com que o reajuste ficasse limitado ao INPC, sem o acréscimo da sinistralidade, taxa que pode ser adicionada caso a proporção entre o número de procedimentos acessados pelo beneficiário e o valor pago pela empresa seja maior do que o previsto contratualmente.

Êxodo de participantes

A saída de participantes do plano continua sendo uma preocupação e também foi discutida. “O plano funciona como um condomínio. Com mais participantes, maior a divisão de custos, ficando mais barato para todos”, explica Júlio. 

O diretor Jonas Freire lembrou que o desafio é justamente construir uma proposta que possa melhorar o plano, tornando-o acessível e sustentável, para evitar o desligamento de mais empregados.

Apesar dos problemas, os banestianos reconhecem que a Banescaixa ainda tem o melhor custo-benefício em relação aos planos de saúde de mercado. “Quem está saindo da Banescaixa por falta de condição de pagamento está indo pro SUS, porque os planos de mercado são muito mais caros. A Banescaixa é um patrimônio nosso e precisa ser preservado”, completou o bancário e diretor do Sindicato Marco Antônio Rodrigues, de Cachoeiro de Itapemirim.

Mobilização

Os banestianos definiram no Congresso oficiar o Banestes para a retomada urgente do Grupo de Trabalho temático. Também foi encaminhada a realização de campanhas informativas para conscientizar os bancários sobre a importância da Banescaixa e a necessidade de melhorias e investimento do banco. Não está descartada a realização de paralisações em agências e departamentos para pressionar o avanço das negociações. 

Ao longo do sábado, os bancários do Banestes também acompanharam os debates sobre os fundos de pensão e sobre saúde e condições de trabalho. O congresso específico integrou a programação da Conferência Estadual dos Bancários e das Bancárias