Organização e mobilização como categoria para resistir à retirada de direitos. Essa foi a definição da 4ª Conferência Nacional dos Financiários, realizada na tarde da última quarta-feira 11, em formato eletrônico. A programação contou com debates sobre remuneração, emprego e condições de trabalho.
A atividade das financeiras foi uma das mais impactadas pela pandemia e pelo agravamento da crise econômica no Brasil. Houve uma brusca redução de postos de trabalho desse setor, uma vez que as financeiras não foram consideradas como serviços essenciais.
“Não temos negociação da pauta econômica neste ano, mas a Conferência foi muito importante para discutir os desafios do setor do ramo financeiro. É urgente organizar os financiários e as financiárias para garantir direitos. Esse é um setor muito precarizado e que está sofrendo com perdas e retrocessos no acordo coletivo ainda mais após a reforma trabalhista, os governos Temer e Bolsonaro e a pandemia. O ano passado a Fenacrefi propôs um acordo muito ruim. O nosso desafio, portanto, é organizar e mobilizar os financiários para que haja avanços nas futuras campanhas salariais”, destaca o diretor do Sindibancários/ES Fabrício Coelho.
Debates
Saúde do trabalhador foi o tema da primeira mesa do evento. “Saúde sempre foi muito importante para o movimento sindical. Com a pandemia, ganhou ainda mais importância”, afirmou o palestrante Mauro Salles, secretário de Saúde do Trabalhador da Contraf.
O secretário revelou preocupação com os trabalhadores que ficaram com sequelas da Covid. “Sabemos que a maioria dos trabalhadores que tiveram Covid-19 tem sequela. Isso nos preocupa muito, tem que ser monitorado e as financeiras têm responsabilidade. Imagine você trabalhar com excesso de sono, cansado, falta de memória, dificuldades de cognição. Isso vai atrapalhar seu desempenho, vai impedir de bater as metas”, afirmou. “Nós temos que negociar com as financeiras os direitos de tratamentos, cuidados especiais para esse tipo de trabalhador”, completou Mauro Salles.
Na sequência, a economista da subseção do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Catia Uehara, fez uma apresentação dos dados de emprego e remuneração do setor. O Banco Central tem 59 financeiras registradas. Juntas, elas tiveram mais de 2 bilhões de lucro em 2020. Apesar do valor chamar atenção, representa queda de 44,5% na comparação com 2019.
Rosângela Vieira, também economista da subseção do Dieese do Sindicato dos Bancários de São Paulo, completou a apresentação com dados sobre o número de estabelecimentos no Brasil.
Antes de apresentação das propostas regionais, Cynthia Valente, assessora jurídica do Sindicato dos Bancários de São Paulo, fez uma retrospectiva sobre as negociações com a Federação Interestadual das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi).
Ao final, os delegados aprovaram a pauta específica de reivindicações dos financiários, que será encaminhada à Fenacrefi.
Fonte: Contraf com edições do Sindibancários/ES

