A Associação de Saúde Ambiental e Sustentabilidade (Asas) e o Instituto Walter Leser da Fundação Escola de Sociologia e Política, divulgaram resultados preliminares da pesquisa Dossiê Covid no Trabalho, realizada com apoio do Ministério Público do Trabalho (MPT). O levantamento contempla dados coletados entre outubro de 2020 e agosto de 2021, com diversas informações, como as referentes à emissão de Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), casos de infecção pelo coronavírus no ambiente de trabalho, entre outros.
Os resultados preliminares do estudo evidenciam que, entre as bancárias e bancários que responderam a pesquisa, em 73,3% dos casos de Covid-19 reconhecidos como relacionados ao trabalho a abertura de CAT foi feita pelo sindicato, e não pelo empregador, havendo, portanto, subnotificação nos bancos.
Ainda sobre o reconhecimento da Covid-19 como doença relacionada ao trabalho, 19% das bancárias e bancários afirmam não saber se foi reconhecida dessa forma e 76,9 % disseram que não foi. Além disso, 74,2% afirmaram que havia pessoas no ambiente de trabalho que se
infectaram. Um total de 14,3% das bancárias e bancários afirmaram não ter ocorrido casos de infecção no trabalho. Outros 11,5% destacaram que não sabiam, enquanto que a porcentagem, nesse quesito, entre os petroleiros, foi de 2,4% e entre os metroviários, 5,2%.
Portanto, das três categorias, a bancária foi a que mais demonstrou desconhecimento sobre os casos de infecção no ambiente de trabalho.
“A pesquisa nos mostra que estamos mais descontrolados em nosso local de trabalho do que as demais categorias”, identifica o diretor do Sindibancários/ES Ronan Teixeira. O estudo também traz dados sobre o lugar onde as trabalhadoras e trabalhadores se infectaram. De acordo com 63,9% das bancárias e bancários que adoeceram, a infecção ocorreu no ambiente laboral.
Quanto às condições de trabalho, a pesquisa aponta que entre os principais problemas existentes nos bancos estão a falta de ventilação e contato muito próximo com as pessoas. “De acordo com as trabalhadoras e trabalhadores, o problema da ventilação é recorrente. Segundo
a pesquisa, quase 50% disseram que isso acontece sempre, o que é um potencializador de contaminação”, enfatiza o dirigente sindical.
O contato muito próximo com as pessoas foi apontado por mais de 50% dos que responderam a pesquisa. “Isso acontece principalmente nos bancos públicos, onde são feitos os atendimentos dos benefícios sociais”, destaca o dirigente. O número de bancárias e bancários que não receberam capacitação para utilizar Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) é grande, de 49,5%. Além disso, 15,8% disseram que a capacitação não foi boa e 34,7% afirmam que foi de qualidade. “Falta informação, e informação de qualidade, sobre os métodos de prevenção à Covid-19”, diz Ronan.
Participe da pesquisa
O Dossiê Covid no Trabalho continua aberto à participação das trabalhadoras e trabalhadores. Basta clicar aqui e responder a um formulário, cujas informações ficarão sob sigilo. O projeto resultará na produção de um dossiê sobre a doença nas diversas atividades de trabalho, reunindo informações e percepções de pessoas que trabalharam fora de seu domicílio ou na companhia de colegas durante a pandemia.
Bancários e bancárias têm formulário específico
Bancários e bancárias, como uma das categorias cujo trabalho foi considerado essencial durante a crise sanitária, responderão a um formulário específico, o que permitirá sistematizar informações particulares às condições de trabalho da categoria. “Essa pesquisa é
multidisciplinar, envolve não somente a área médica, mas outros profissionais da saúde, além de filósofos, sociólogos e outros estudiosos de várias áreas de conhecimento, o que dá amplitude e profundidade analítica bastante interessante para o estudo”, diz Ronan.
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