
Empregados da Caixa fazem flexões observados pelo presidente da Caixa, que comanda a sessão de assédio de cima do palco
O flagrante de assédio moral praticado pelo presidente da Caixa, Pedro Guimarães, na última terça-feira, 14, no “Dia Nação Caixa”, em Atibaia, a 70 km de São Paulo, continua repercutindo na imprensa, nas redes sociais e bateu no Ministério Público do Trabalho do Distrito Federal (MPT-DF). Durante o evento, Guimarães humilhou e constrangeu empregados, empresários lotéricos e correspondentes Caixa, obrigando-os a fazer flexões em público.
PEDRO GUIMARÃES HUMILHA EMPREGADOS DA CAIXA OBRIGANDO-OS A “PAGAR” 10 FLEXÕES
Na notificação enviada nessa quinta-feira, 17, ao presidente da Caixa, o procurador do MPT-DF, Paulo Neto, adverte Guimarães que a prática de impor flexões pode se configurar como assédio moral. Diz um trecho do documento: “Recomendo ao senhor Pedro Duarte Guimarães, que na condição de presidente da Caixa Econômica Federal, abstenha-se de submeter os empregados do banco a flexões de braço e outras situações de constrangimento no trabalho ou dele recorrente sob pena de instauração de procedimento investigatório e adoção de medidas administrativa e judiciais cabíveis”.
O procurador destaca ainda que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já reconheceu como “abusiva e reprovável”, a conduta do empregador que mandar o trabalhador fazer flexão de braço.
Medida branda
Para o diretor do Sindicato dos Bancários/ES Igor Bongiovani, a expectativa era de que o MPT fosse além da recomendação e adotasse uma medida mais incisiva, mais enérgica, à altura da gravidade dos fatos.
O fato de a sessão de humilhação ter sido comandada pelo presidente da Caixa, cargo mais alto da instituição, destaca Bongiovani, torna o caso ainda mais grave. “Para além do flagrante de assédio, o episódio fere o princípio da dignidade da pessoa humana, previsto na Constituição Federal”. Ele se refere a um dos fundamentos do Estado Democrático de Direito, nos termos do artigo 1º, III da Constituição Federal, fundamento basilar da República.
O dirigente afirma que a prática, comum em ambientes militares para impor “castigos”, é completamente alheia à atividade dos empregados e das empregadas da Caixa. “Pedro Guimarães quer transformar a Caixa num quartel e os empregados em soldados. O presidente da Caixa expôs os empregados e as empregadas a essa situação vexatória como uma demonstração de força, típica de figuras autoritárias”, critica.
Bongiovani diz que a sessão de humilhação protagonizada por Pedro Guimarães é uma afronta não apenas aos empregados que estavam no evento, mas ao universo de mais de 80 mil bancários e bancárias, ao movimento sindical e à classe trabalhadora de maneira geral.
Ele acrescenta ainda que o flagrante de assédio no maior banco público da América Latina está repercutindo negativamente dentro e fora do país. “É uma mácula que Pedro Guimarães deixa na imagem da Caixa e no próprio país”, lamenta.
Caixa e MPT notificados
A Contraf e Fenae também notificaram a Caixa e o MPT nessa quinta-feira em razão do descumprimento da cláusula da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) que impede o ranking de empregados e do assédio moral praticado por Guimarães no evento “Dia da Nação Caixa”.
O ofício destaca que a seleção dos empregados participantes levou em conta critérios proibidos pela CCT da categoria bancária. A própria Caixa estabelece que a escolha dos empregados e das empregadas para participação no evento considerou “critério meritocráticos”, supostamente reconhecendo trabalhadores que se destacaram em 2021. Esse tipo de seleção, a partir de ranking, é vedado na CCT. A prática, segundo as entidades, fere também a Convenção nº 190 da OIT e princípios da Constituição Federal.
Outras denúncias
Sindicatos dos bancários e associações dos empregados da Caixa país afora também estão analisando denunciar ao Ministério Público do Trabalho a conduta do presidente Pedro Guimarães no evento “Dia Nação Caixa”. Segundo a diretora do Sindicato Lizandre Borges, o Sindibancários/ES também está discutindo com sua assessoria jurídica quais medidas serão adotadas contra o flagrante de assédio cometido pelo presidente da Caixa.

