Os resultados do primeiro trimestre de 2022 dos dois maiores bancos privados do país superaram as projeções dos analistas do mercado financeiro. O lucro do Itaú de R$ 7,36 bilhões foi 15,1 % maior no comparativo com o primeiro trimestre de 2021. Já o Bradesco, que registrou R$ 7 bilhões, superou em 13,9% o lucro do mesmo período do ano passado.
As empresas de análise se surpreenderam porque os excelentes resultados dos bancos não foram afetados pelo pessimismo dos cenários interno e externo. No Brasil, a economia segue estagnada, com inflação em alta (12,3%, nos últimos 12 meses), investimentos em baixa e desemprego elevado, na casa dos 12%. A guerra na Ucrânia, que vem pressionando uma série de setores da economia, também passou ao largo pelos bancos.
Para o diretor do Sindicato dos Bancários/ES e membro do Comando Nacional dos Bancários, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), o lucro acima das projeções não é uma surpresa. “O lucro, sempre para cima, já é uma marca histórica dos bancos, que estão blindados às crises. Durante os momentos mais agudos da pandemia, enquanto o país enterrava seus mortos, os bancos registravam lucro recorde”. O dirigente lembra que itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil reportaram um lucro líquido consolidado de R$ 81,632 bilhões em 2021, o que representa um crescimento de 32,5% na comparação com 2020. “2021 foi o ano em que a covid mais matou no Brasil, mas a saúde financeira dos bancos se mostrou imune à crise sanitária”.
Lucro não impede demissões
O lucro dos grandes bancos não tem impedido as demissões no setor. Nos últimos 12 meses (até março), o Bradesco desligou 1.199 funcionários e fechou 364 agências bancárias. O Itaú também fechou postos de trabalho em 2020 e 2021 e abriu em março um novo programa de demissão voluntária.
“Os bancos justificam as demissões à necessidade de implantar programas de reestruturação. Alegam que essa é a solução para se manterem competitivos no mercado. A justificativa também serve para substituir as agências tradicionais por unidades de negócios. O resultado das demissões é o aumento da sobrecarga de trabalho e a imposição de metas cada vez mais abusivas”, aponta o diretor do Sindicato Fabrício Coelho.
Além das demissões, o dirigente destaca que os trabalhadores são vítimas de assédio moral. “É um combo: sobrecarga de trabalho, metas abusivas e assédio moral. O resultado é o adoecimento do trabalhador”, afirma Fabrício.

