A pandemia da covid-19 acelerou a implantação do teletrabalho nos bancos, mas a garantia de condições de trabalho adequadas aos bancários que atuam nessa modalidade não segue na mesma velocidade. Nesse período, a categoria bancária também enfrentou o aumento exponencial do adoecimento psíquico de trabalhadores. Na segunda mesa de debate deste sábado, 14, no 7º Congresso Estadual dos Bancários e das Bancárias capixabas, a técnica do Dieese, Vivian Machado, e o doutor em Psicologia Social e Institucional, André Guerra, falaram sobre os desafios para os bancários nesse contexto.

De acordo com levantamento realizado pelo Dieese, duas semanas após o início da pandemia, em março de 2020, cerca de 230 mil bancários e bancárias (51% da categoria) estavam em home office no Brasil. Essa pesquisa inicial mostrou as violações de direitos a que os bancários foram submetidos, como o não pagamento de hora extra, a falta de equipamentos adequados, o aumento e descontrole da jornada de trabalho, entre outros.

Em 2021, o Dieese realizou nova pesquisa com os bancários em home office e o resultado revelou a piora nas condições de trabalho e de saúde dos trabalhadores que atuam nessa modalidade. “Depois do home office agravou-se problemas como dificuldade de concentração, ansiedade, medo e cansaço na categoria bancária. Quando comparamos a primeira e a segunda edição da pesquisa, percebemos o aumento da desmotivação e a vontade de chorar sem motivo aparente. As condições de trabalho pioraram”, destacou a técnica do Dieese, Vivian Machado.

Com a adoção permanente do teletrabalho pelos bancos, é preciso garantir melhores condições de trabalho para os bancários que atuam nesta modalidade: fornecimento de equipamentos adequados, fim da cobrança por metas, regulação da jornada de trabalho, desconexão, entre outras questões. “Durante esse período, esses trabalhadores sentiram impacto no aumento da conta doméstica. Enquanto os bancos tiveram economia de bilhões de reais com a redução de custos”, frisou Vivian.

MP 1108 e a exploração de trabalhadores

Publicada em março deste ano, a Medida Provisória (MP) 1.108 trouxe mudanças na regulamentação do teletrabalho, que acarretaram perdas de direitos para os trabalhadores brasileiros. Vivian Machado falou sobre a necessidade urgente de mobilização da classe trabalhadora para barrar a proposta antes que seja votada e aprovada como lei no Congresso Nacional.

“A MP veio para piorar as condições de trabalho ao favorecer a negociação individual, e não coletiva. Não garante, por exemplo, que esses trabalhadores (em home office) tenham direito à desconexão. Essa é uma medida que traz, portanto, uma piora para a vida dos trabalhadores e por isso deve ser combatida”, frisou.

Adoecimento psíquico

Ansiedade, depressão, suicídio e outras doenças psíquicas têm acometido cada vez mais trabalhadores da categoria bancária. Pesquisador sobre o tema, o psicólogo André Guerra  enfatizou durante o debate que é preciso  compreender que a saída para essas doenças é coletiva, e não individual. Guerra destacou como o modelo de gestão nos bancos, baseado em cobrança por metas e estímulo à concorrência entre os empregados, torna o ambiente de trabalho bancário adoecedor. Confira a fala do Dr. André:

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